Sociedade

Câmara e Politécnico de Setúbal acordam parceria para instalação de Escola Superior em Sines

A instalação de uma Escola Superior em Sines, numa parceria entre a Câmara Municipal de Sines e o Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), vai permitir dar “uma resposta diferenciada”, com licenciaturas, mestrados e cursos técnicos superiores, revelou aquela instituição de ensino.

O investimento de cerca de cinco milhões de euros, cujo protocolo de colaboração foi assinado no passado dia 26 de julho, em Sines, com a presença do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e da Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, terá uma oferta nas áreas da informática, cibersegurança, robótica e mecatrónica, sustentabilidade, turismo, saúde, logística e gestão, além dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CteSP).

“O ensino superior transformou-se numa estratégia de desenvolvimento regional e por isso faz todo o sentido, e só peca por ter atrasado, o desenvolvimento de espaços de educação, investigação e inovação em Sines, em estreita articulação com o Instituto Politécnico de Setúbal devido à sua proximidade”, salientou o Ministro, Manuel Heitor.

Em declarações aos jornalistas, o governante adiantou que “o ensino superior” está, atualmente, “em cerca de 30% dos municípios portugueses”, sendo que Sines já conta com “uma oferta de cursos curtos do politécnico de Setúbal”.

“Em 2015 havia ensino superior em 40 municípios, hoje temos 130 , portanto multiplicou por três vezes nos últimos cinco anos. Aqui em Sines havia de facto um défice e a expansão industrial e a transição ecológica obviamente requerem mais competências”, frisou.

A instalação de uma escola superior, que vai servir toda a região do litoral alentejano, vai permitir “trazer mais atividade de investigação e inovação” para este território, indicou.

Para a Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, este “é um projeto de desenvolvimento regional” pela sua “ligação às empresas” e “ao mundo empresarial”, assim como “para a diversificação do tecido económico de Sines”.

“A partir de agora vamos trabalhar no projeto porque tem enquadramento em termos de financiamento no Portugal 2030, mas também no Programa de Recuperação e Resiliência e, enquanto grande motor de desenvolvimento regional deve articular-se com outros projetos que já existem como é o caso do Sines Tecnopolo”, realçou.

De acordo com o Presidente do IPS, Pedro Dominguinhos, a região do Litoral Alentejano “é a única NUT III do país sem um estabelecimento de ensino superior, desde que na semana passada foi autorizada uma escola em Chaves do politécnico de Bragança”.

O futuro equipamento “tem de ser uma escola em que as formações são construídas com os parceiros do território, sejam eles empresariais ou da administração pública, sendo um instrumento relevante para o desenvolvimento regional e para a coesão territorial de Sines e também do Litoral Alentejano”, disse.

“É uma resposta que queremos diferenciada. Naturalmente que terá uma valência relevante de formação de jovens, os estudantes que terminam o 12.º ano ou os CteSP, mas queremos ter licenciaturas e mestrados, e, uma segunda valência que reputamos da maior relevância que é a formação ao longo da vida, ao nível das pós-graduações e mestrados e de formações curtas e especializadas que permitam que a população ativa que trabalha em Sines e nos concelhos limítrofes possa beneficiar desta atualização que é essencial”, explicou.

Ainda de acordo com o responsável do IPS, o projeto “de uma escola sem muros” vai apostar “nos sistemas de B-learning e não apenas na formação tradicional”.

Para o presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas, o projeto é “o mais importante dos dois últimos mandatos, porque permite ter uma visão do futuro da região, apostando na formação [e] qualificação ao longo da vida, mas sobretudo para atrair estudantes de outras latitudes”.

Questionado sobre a localização do futuro estabelecimento de ensino, o Autarca disse apenas que “existem várias possibilidades” e que “é um assunto em análise” entre as entidades responsáveis.

No próximo ano letivo, os responsáveis esperam “arrancar com os CteSP e com as pós-graduações” para “responder aos investimentos que estão a ser projetados para Sines”.

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