Cultura

Era para ser uma entrevista, mas…

O pedido veio da redação, o tratamento foi o costumeiro – contacto, marcação e, à hora aprazada do dia combinado, o jornalista dirigiu-se ao atelier da artista.

Manda a experiência jornalística que, salvo por recomendação em contrário, estes encontros se realizem em terreno neutro como forma de obstar a um dilatar das temáticas e a trazer ao jornal unicamente o assunto pretendido e que neste caso era a mais recente participação da nossa conterrânea Paula Bravo numa exposição internacional dedicada ao continente africano onde nasceu.

Efetivamente recolhemos a informação sobre o evento que está a decorrer e no qual a artista participa com um quadro que retrata uma sua perspetiva da terra que a viu nascer e as gentes que lá vivem.

Esta mostra coletiva “Tribute to the African Continent” conta com a participação de 1500 artistas de 137 países e que tem como curadora a Baronesa Jiselda Salbu.

Não é a primeira vez que a artista vem às páginas do nosso Jornal, mas uma vez imersos na atmosfera criativa que se respira no seu atelier, difícil se tornou circunscrever o diálogo a este ato participativo da artista.

Efetivamente e a traços muito largos, com uma atividade que no seu currículo conta mais de quarenta anos de criação artística, que se espraiam por cinquenta e quatro exposições realizadas em diferentes locais do nosso País, quatro exposições realizadas no estrangeiro e que conta igualmente com uma vertente solidária consubstanciada na oferta de vinte e cinco telas e outros trabalhos artísticos, cuja venda reverteu integralmente para obras sociais.

Tem igualmente dezenas de obras catalogadas em várias instituições de Portugal, Brasil e Itália.

Todo este currículo levou-nos a mais de três horas de conversa, basicamente girando à volta da âncora cultural da nossa região, a crónica falta de espaços dedicados a essa atividade e aos estímulos que são concedidos a quem mantém a cultura em movimento.

«Isto é quase como uma pescadinha de rabo na boca», confidenciou-nos Paula Bravo, «a falta de estruturas e apoio aos artistas não fomenta o interesse das pessoas, não ganhando assim, os hábitos culturais que por sua vez exigiriam e seriam recomendáveis numa sociedade que se quer mais culta e participativa».

Ao longo da conversa que artista connosco entabulou, deu para perceber que cada obra criada é um espelho do que se passa no seu espírito naquele momento e que é transmitido ao suporte criativo utilizando maioritariamente a Técnica do Bristol em que as cores e as formas são aplicadas através dos dedos, como que facilitando a comunicação de todo esse sentimento que lhe baila no seu íntimo enquanto cria.

Como os nossos leitores deverão calcular, será extremamente difícil transpor para um texto que seria destinado a referenciar mais um passo na sua já longa carreira criativa no seio das artes, a súmula de uma conversa onde, a talhe de foice, foram surgindo episódios e vivências que de alguma forma foram balizando os anos em que se desenrolou a sua atividade criativa.

Talvez mais tarde e incluída num outro projeto possamos voltar á fala com Paula Bravo para sabermos, de uma forma mais minuciosa, por onde anda e andou o seu irrequieto espírito criativo que tantas obras tem dado àqueles que com ela se têm cruzado nesta efémera existência que é a nossa.

Parabéns, Paula Bravo, por mais este passo dado no “Tribute to the African Continent”.

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