Editorial

Editorial: Lisboa amada e desprezada

Lisboa dos poetas, dos navegadores, dos cantores e das ruas floridas de bairros antigos que viram passar tantos e tantos povos de origens distantes que passou na história abraçando e amando a todos.

Tempos de outros tempos áureos, de tempos também de sofrimento que viu suas casas e templos serem destruídas pelo sismo, mas se reconstruiu bela e formosa, que virada para o rio sonha com mundos que visitou a partir destas aguas doces, mas que salgadas se tornaram com o chorar de tantos. 

Esta cidade que é capital do país e que ali se congregam os mais altos magistrados e políticos da nação. Ali se decide o futuro de todos nós. Nas casas e prédios juntinhos em que habitam mais de dois milhões de pessoas, que se movimentam diariamente pelas suas ruas; a pé de comboios, Metro, barcos, autocarros, uma movimentação que junta muita gente que por vezes se aglomera e aperta como se de um abraço de saudade se tratasse. Mas não, é mesmo para aproveitar o espaço e poder chegar ao trabalho a tempo.

Algo que, hoje, mesmo com as regras da pandemia continua a fazer-se. Como se manter então o distanciamento? Como evitar a subida vertiginosa de casos? Como é a capital não se quer, nem existe vontade politica, porque as eleições estão à porta, fechar ou fazer um cerco para que o foco não se espalhe pelo país. Mas é necessário que se mantenham as pessoas fixas nas suas casas até que passe, senão corremos o risco de ver a nossa bela capital a ser a causadora de uma nova vaga que se espalha por todo o país.

É necessário travar e eliminar o foco. É necessário que as autoridades tenham a coragem de colocar o dedo na ferida e curar a doença. Não é fechando os olhos e assobiando para o lado que se resolvem as situações. Todos temos de ter consciência do que está a acontecer. As pessoas que vivem em grandes aglomerados ainda têm de ter mais atenção. Neste momento é pedido que se contenham nas deslocações para que nas próximas semanas voltemos a descer os números de infetados e possamos descansar um pouco.

Mas a proteção é o melhor remédio. É necessário que o Estado não alimente desprezos pela capital, quando não faz nada para resolver o problema existente.

Por Abílio Raposo, diretor

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