Economia

Herdade do Cebolal coloca vinhos no fundo do mar para estudar evolução

Um total de 250 garrafas de vinho tinto e branco foram mergulhadas, no passado dia 20 de maio, a cerca de 20 metros de profundidade, na Marina de Sines, num projeto promovido pela Herdade do Cebolal que começou há oito anos e já contabiliza quatro produções do vinho do Mar.

Desde a primeira edição que o projeto “Cebolal Emerso” procura estudar “a evolução” dos vinhos no fundo mar promovendo igualmente a ecologia e a economia local.

“Temos aprendido sobre as diferenças de um estágio em terra em relação ao mar. A terra tem uma evolução mais lenta com características diferentes. No caso do mar, temos uma evolução mais acelerada. Se calhar um vinho que na terra tem um ano, no mar evolui quase o dobro”, explicou o enólogo da Herdade do Cebolal, Luís Mota Capitão.

Além da aprendizagem ao nível da composição do vinho do Mar, “muito mais salina e virada para o iodo”, o responsável destacou a componente ecológica, assim como “a arte” associadas a este projeto.

Os resultados “são muito interessantes” e permitem perceber que “temos parâmetros, como uma certa secura na boca, a própria complexidade e cor do vinho, que também se modificam”, adianta o responsável, que com esta operação quer “tentar mostrar” que é possível “prever o futuro de um vinho que desenhamos dentro da vinha”.

Por outro lado, “tentamos evitar que estas garrafas acabem no ecoponto, porque têm arte e podem fazer parte da decoração das nossas casas, como uma jarra de flores ou um candeeiro. Ao longo dos anos também as cores vão mudando, as algas ou as cracas vão desaparecendo”.

Segundo o produtor, o vinho que “fermentou em lagar de barro terminando o seu estágio em cuba” vai permanecer no fundo do mar “entre 12 meses até um ano e meio”, dependendo das “marés e das pressões” a que as garrafas estão sujeitas, tendo como principais mercados Portugal e o Reino Unido.

“Nas anteriores produções quis fazer especificamente para o mercado nacional e foi uma receção muito interessante, apesar das pessoas entenderem que se trata apenas de marketing. O objetivo deste projeto passa por promover a economia local, a sustentabilidade e fazer uma sinergia entre empresas”, realçou.

Por isso, “as garrafas são lacradas com cera de abelha, produção própria e de apicultores locais, o vidro é mais leve, numa lógica de pegada ecológica, a rolha é de cortiça, natural do Alentejo”, adiantou o enólogo que abdicou do rótulo em papel, “porque é a fauna, como as cracas, algas e mexilhões, que vai aparecer nas garrafas”.

Apesar de o projeto estar virado para “um nicho de mercado muito pequeno”, o empresário defende que “é uma vertente” que pode combater a sazonalidade.

“É uma vertente que pode ser muito importante para o inverno, porque muitas vezes nesta região temos um mercado muito interessante na primavera, verão e outono, mas no inverno são épocas baixas, por isso acho que este é um trabalho que tem permitido complementar esta parte sazonal”, referiu.

Com 20 hectares de vinha, a Herdade do Cebolal, localizada em Vale de Água, no concelho de Santiago do Cacém, que produz anualmente entre 60 e 70 mil garrafas de vinho tinto e branco, pretende avançar ainda este ano com um segundo lote de vinho do Mar, mergulhando garrafas junto à Ilha do Pessegueiro, no concelho de Sines.

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