Economia

Águas de Santo André vai investir 30 ME na melhoria das infraestruturas

A empresa Águas de Santo André (AdSA) prevê investir, nos próximos dois anos, na modernização e melhoria das infraestruturas de saneamento e tratamento de águas, num investimento de cerca de 30 milhões de euros.

Nos próximos dois anos “iremos cumprir um conjunto de investimentos que temos em desenvolvimento”, referiu o presidente do conselho de administração da AdSA, Luís Faísca, durante a sessão pública comemorativa dos 20 anos da empresa, que se assinalou no passado dia 20 de maio.

Além da remodelação da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Ribeira de Moinhos, em Sines, “no valor previsto de 12 milhões de euros”, a AdSA vai igualmente avançar com a construção da nova conduta adutora de água industrial entre a Estação de Tratamento de Água (ETA) de Morgavel e o Reservatório de Monte Chãos, num montante “que ascende a 10 milhões de euros”, e com a remodelação da ETA de Morgavel “com um valor estimado de quatro milhões de euros”.

“Trata-se de investimentos na ordem dos 30 milhões de euros na modernização e resiliência das nossas infraestruturas que terão um profundo impacto em tantas áreas, nomeadamente na defesa e proteção do ambiente, bem como na qualidade do serviço”, salientou.

Em declarações aos jornalistas, à margem da cerimónia, Luís Faísca adiantou que se trata de um plano de investimentos “estruturantes” que estão “planeados” e “em planeamento” há alguns anos que vão passar à fase de implementação.

No caso da construção da nova conduta adutora, no início do segundo semestre deste ano “iremos fazer o lançamento do concurso público” e para a obra de remodelação da ETAR da Ribeira de Moinhos “estamos à espera da conclusão do estudo prévio” para lançar o concurso público “no início” do próximo ano.

Quanto à empreitada de remodelação da ETA de Morgavel “tivemos de fazer alterações ao projeto que estava a ser desenvolvido porque vamos concluir a ligação ao sistema da EDIA para ter uma nova origem de água com outras características de água que era única e exclusivamente do Sado que trazíamos para a albufeira de Morgavel”, adiantou.

“Há necessidade de fazer afinações ao projeto de reabilitação que tínhamos para garantir qualidade da água e tratamento para essa nova origem. Esperamos ter esse projeto entregue no decorrer deste ano e preparar para avançar com o concurso público o mais breve possível”, acrescentou.

De acordo com o responsável, as obras da ETAR da Ribeira de Moinhos e da ETA de Morgavel “são bastante exigentes tecnicamente” por se tratar de uma reabilitação e obrigar ao funcionamento dos equipamentos.

“Têm um grau de exigência técnico muito elevado porque vão ser feitas as reabilitações com os equipamentos a funcionar para garantir o fornecimento da água e o tratamento das águas residuais”, concluiu.

Secretária de Estado do Ambiente diz que é preciso “encontrar modelos de gestão” da água

Durante o evento, a secretária de Estado do Ambiente, Inês Costa, defendeu que é preciso “encontrar modelos de gestão” da água que “equilibrem resiliência, eficiência e adaptabilidade de planear e adaptar” para melhor gerir este recurso.

“Portugal faz parte dos 26 países em risco direto de seca extrema, associado às alterações climáticas. A procura por água irá, a médio prazo, a nível global, exceder a oferta”, disse a governante referindo-se “não só” ao consumo de água à população como aos setores da agricultura e da indústria que “irá significar maior sobrecarga em cima destes sistemas”.

Segundo a secretária de Estado do Ambiente “ao contrário da energia ou da mobilidade, onde é claro para todos para onde queremos ir, no que diz respeito à água, ao saneamento e aos resíduos, nem sempre essa vontade de mudar é assim tão clara para os cidadãos, mas também para as empresas”.

Para a governante, os serviços “essenciais” do ambiente são “ainda encarados como um custo que importa diminuir a qualquer preço, quase como uma obrigação e que tem de sempre existir um fundo comunitário ou nacional que resolva parte dos investimentos que são necessários”.

“Não nego a necessidade desse apoio, mas não podemos utilizar” esse argumento “para desvirtuar o valor que o serviço deve ter junto dos cidadãos e das empresas e por essa via a necessidade de planear e de investir”, acrescentou.

Dando como exemplo, os municípios “que não cobrem com a tarifa, os custos associados a intervenções na sua rede”, a governante admitiu ser “algo que temos de perceber e intervir”.

Sobre a escassez de água, a secretária de Estado do Ambiente entende que deve existir uma “maior justiça no esforço de todos os utilizadores para a eficiência e suficiência, incluindo os maiores consumidores como seja a agricultura e a industria”.

“Não desistimos dessa nossa visão. sabemos que há barreiras que temos de transpor, entidades que temos de sensibilizar para a importância do serviço. Ainda gostaríamos de ver a colaboração a estreitar-se e mais agregações e parcerias a surgirem”, admitiu a governante aludindo para o Plano de Eficiência Hídrica do Alentejo.

Este documento regional, que inclui os planos sectoriais em curso, “vai ser uma peça muito importante para a gestão da água na região no presente e no futuro”, sublinhou.

“Esta região em particular irá sofrer uma grande transformação em muito pouco tempo e nesse contexto é importante compreender de que modo poderemos promover o mutualismo nas ligações e fluxos entre empresas, à semelhança do que já acontece noutros grandes pólos industriais europeus e o recurso onde se começa a fazer esse mutualismo não é na energia, mas sim na água”.

Considerando que Portugal “não pode cair na armadilha” de gerir este recurso “ao sabor da expansão das atividades”, colocando “pressão nas infraestruturas” de abastecimento, recolha e tratamento “que não foram projetadas” para esse crescimento “rápido e instantâneo”, a governante defende que é necessário planear e apostar numa “distribuição justa” da água.

“Isso tem de, definitivamente, entrar no ADN das regiões, nos dirigentes, na população”, acrescentou, insistindo na atualização de “cadastros, contabilização correta dos investimentos, regulamentos de descarga, identificação e penalização de influências indevidas, planeamento, explorar novas tecnologias para resolver problemas bem identificados, a digitalização dos sistemas para lá dos contadores, a monitorização, a promoção de simbioses industriais”.

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