Política

Bloco de Esquerda diz “não às mega centrais solares” previstas para Santiago do Cacém

A Concelhia de Santiago do Cacém do Bloco de Esquerda (BE) está solidária com as preocupações e protestos das
populações de São Domingos e Vale de Água e de Cercal do Alentejo pela instalação de duas centrais solares de
dimensão “completamente exagerada” neste território.

De acordo com o BE, em comunicado, “as populações não são esclarecidas nem ouvidas. Tudo tem sido feito nas suas
costas. As consultas públicas são obrigatórias, mas a sua divulgação é completamente insuficiente, como aconteceu em São Domingos e Vale de Água. No Cercal do Alentejo, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) veio à última da hora fazer uma sessão de esclarecimento, mas os seus técnicos tiveram a desvergonha de dizer que já estava tudo decidido e que não eram obrigados a ouvir a população”.

No entender dos bloquistas, a Câmara Municipal “que devia ter promovido o debate público, não assumiu a sua
responsabilidade de informar, ouvir e esclarecer as populações, quando conhecia há mais de um ano estes projetos” previstos para o Concelho de Santiago do Cacém.

“O Governo do Partido Socialista prevê empreendimentos desta natureza por todo o país, numa estratégia de descarbonização lesiva das populações, entregando a produção de energia a empresas que na lógica do lucro máximo
irão beneficiar dos dinheiros europeus da tal “bazuca” financeira, para implementar sistemas de produção centralizados, numa lógica de maximização dos lucros e minimização dos custos”, crítica.

Para o BE, estes projetos que “terão um impacto enorme para as populações” vão afetar a Reserva Agrícola Nacional,
destruir montado de sobro, danificar ou destruir caminhos rurais, alterar profundamente a paisagem e os ecossistemas, ter impactos nos microclimas locais, inviabilizar o turismo rural e de natureza”.

“Ao fim dos 30 anos de exploração prevista para estas centrais solares, não há resposta quanto ao destino de toneladas de resíduos resultantes das estruturas metálicas e dos próprios painéis. É o que se chama sugar o território e deixar lá o lixo”, lê-se no comunicado.

Além de considerar que o “impacto social” destes projetos “ser nulo”, uma vez que “não vão criar emprego, nem dinamizar o comércio local”, o BE entende que o combate à crise ambiental não pode ser feito “a qualquer custo contra as populações do os seus interesses”. Por isso, além de discordar destes projetos e opor-se “frontalmente à sua
implementação em São Domingos/Vale de Água e Cercal do Alentejo, desafia a Câmara Municipal e as forças políticas
que se reclamam de esquerda a tomar posição a favor das populações, opondo-se a estes projetos”.

A Concelhia defende “um modelo social, verdadeiramente socialista, de transição justa para o ambiente e para as pessoas, que gere emprego, proteja os recursos naturais e promova o desenvolvimento sustentável”.
Apoia ainda “um modelo de produção público ou cooperativo de autoconsumo, descentralizado, que aproveite as
coberturas de edifícios, os espelhos de água das zonas improdutivas e políticas públicas ecológicas a nível central e local, dos transportes à habitação e a criação de unidades produção de painéis solares e tecnologias associadas, em vez do recurso à importação”.

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