Economia

Mega Centro de Dados é “exemplo de excelência” da transição digital e energética

O Primeiro-Ministro, António Costa, referiu-se ao projeto para instalar um megacentro de dados global em Sines como um “exemplo de excelência” de que a transição digital e energética devem andar de mãos dadas.

Este é “um exemplo de excelência de que a transição digital e a transição energética são mesmo uma transição gémea e têm de andar mão na mão, uma com a outra”, afirmou António Costa. O Chefe do Governo deslocou-se a Sines, no passado dia 23 de abril, para participar na cerimónia de apresentação do projeto de um megacentro de dados global a instalar em Sines pela empresa de capitais anglo-americanos “start campus”.

Para António Costa, estas transições “não são uma ameaça ao desenvolvimento económico, nem à criação de emprego”. “São pelo contrário uma oportunidade extraordinária para um desenvolvimento económico mais sustentável e para a criação de emprego de melhor qualidade e emprego mais qualificado”, realçou.

O denominado Sines 4.0 prevê um investimento de “até 3.500 milhões de euros” num ‘campus Hyperscale Data
Centre’, com capacidade até 450 Megawatts (MW), que “criará até 1.200 postos de trabalho diretos altamente
qualificados e pode vir a gerar 8.000 novos empregos indiretos até 2025”, segundo a empresa promotora.

“Independentemente da sua dimensão e devir a comprovar ser o maior investimento direto estrangeiro que se faz nas últimas duas décadas em Portugal é seguramente desde já um investimento absolutamente simbólico”, destacou.

Este investimento, acrescentou, “demonstra tudo aquilo que são as nossas bases da estratégia do desenvolvimento”
assente em três fatores. “Uma localização que assegura uma conectividade global, capacidade única para sermos um grande centro de produção de energia renovável e a baixo custo e por podermos estar na linha da frente da transição para a sociedade digital”, elencou.

Tal como Sines foi “o ponto de partida” do navegador Vasco da Gama, natural da terra, o chefe do Governo, vincou que esta cidade alentejana é também “o local de excelência para a instalação dos novos cabos de interconexão digital entre a Europa e outros destinos”.

Além da instalação “do primeiro cabo de fibra ótica”, projeto da EllaLink, que liga a Europa e a América Latina, Sines foi
também o local escolhido para “ponto de amarração de outros dois cabos: o Equiano que nos liga à África do Sul e o 2Africa que nos liga ao conjunto de África”. “Temos capacidade e condições naturais únicas para a amarração segura de novos cabos [submarinos]” e “capacidade e área disponível para que novos cabos se venham amarrar a Sines e estabelecer daqui a sua interconexão para o mundo”, reforçou.

O Porto de Sines “trouxe a indústria associada ao transporte de bens e mercadorias, necessariamente que os cabos de ligação de fibra ótica fazem de Sines um ponto de localização privilegiada para toda a indústria assente no digital”, sublinhou.

Pandemia serviu para “ilustrar capacitação” das sociedades para a tecnologia digital O Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, considerou que a pandemia de covid-19 serviu para “ilustrar a capacitação” das sociedades “para mais rapidamente darem um salto para uma tecnologia digital”.

“Com muitas dificuldades, muita dor que causou, esta pandemia ilustrou também a capacitação que as sociedades
têm e a preparação e disponibilidades para mais rapidamente darem o salto para uma tecnologia digital”, realçou o governante.

Pedro Siza Vieira falava em Sines durante a apresentação do projeto do megacentro de dados global, denominado Sines 4.0, um investimento de “até 3.5 mil milhões de euros” que criará até 1.200 postos de trabalho diretos “altamente
qualificados” e pode vir a gerar oito mil novos empregos indiretos até 2050.

A pandemia, acrescentou, “proporcionou também uma maior maior necessidade, por parte de atores de todo o mundo, identificarem quais as melhores localizações para os investimentos que se mostram necessários realizar para servir esta sociedade e estas tecnologias digitais”.

No entender do governante, o grande desafio que é lançado “ao conjunto de atores públicos e privados”, na próxima
década, passa por saber “como assegurar que estas oportunidades se concretizam e revertem em benefício do país”.
“Precisamos de conhecer melhor e dar a divulgar aquilo que são as nossas infraestruturas em matéria de conectividade digital. Temos muita disponibilidade de fibra ótica no país, mas ela não está totalmente aproveitada e não é integralmente conhecida, nem de nós nem do resto do mundo”, defendeu.

Para Siza Vieira é também necessário “assegurar que os processos de licenciamento e de aprovação destes projetos acontecem de forma suficientemente rápida para que outros não aproveitem melhor, oportunidades menos óbvias do que têm, do que nós próprios”.

“Este projeto que pode ajudar a capacitar a aceleração destas mudanças que precisamos pela disponibilidade de
eletricidade renovável, de gases renováveis, pela ligação aos outros continentes que a nossa localização geográfica oferece, pela capacidade de recursos humanos e de tecnologia que temos merece esse apoio e alinhamento”, reforçou.

Autarca “vê com expectativa” projeto “de enorme relevância para o futuro” de Sines

O Presidente da Câmara Municipal de Sines, Nuno Mascarenhas, vê com “enorme expectativa” a instalação de “um dos maiores centros de dados da Europa” na Zona Industrial e Logística de Sines, considerando tratar-se de “um projeto de
enorme relevância para o futuro de Sines”.

“É, naturalmente, com enorme expectativa que acolhemos hoje esta iniciativa da Startcampus para aquele que será um dos maiores investimentos nacionais das últimas décadas, a construção em Sines de um dos maiores centros de dados da Europa”, afirmou o autarca.

Nuno Mascarenhas falava durante a cerimónia de apresentação do projeto do mega centro de dados global, que se vai
instalar em Sines, considerado projeto PIN – Projeto de Interesse Nacional. “Damos hoje mais um importante passo
na concretização deste projeto”, sublinhou o autarca, referindo-se à assinatura do contrato de direito de superfície entre a Startcampus e a Aicep Global Parques, “para reserva dos terrenos da zona industrial de Sines onde futuramente virá a ser instalado este novo Centro de Dados, um Hyperscaler inédito em Portugal”.

De acordo com Nuno Mascarenhas, Sines, está “preparado para os desafios do futuro e para receber grandes projetos
como este, seja na vertente urbana, dos equipamentos de ensino, culturais, desportivos ou de saúde”.

O Concelho “está preparado para este enorme desafio. E mesmo do ponto de vista humano, as pessoas habituaram-se a enfrentar grandes desafios e grandes mudanças”, realçou.

No seu discurso, o Autarca reconheceu que, no início das primeiras conversações sobre o desenvolvimento de uma nova área de negócios em Sines, “tínhamos uma forte expectativa”, mas que nada fazia prever o impacto desses investimentos.

“Na sequência da instalação em Sines do primeiro cabo submarino de comunicações que liga diretamente o Brasil à Europa, tínhamos uma forte expectativa em relação à fixação no concelho de investimentos na área tecnológica, mas estávamos longe de imaginar que esses projetos começariam a procurar o território quase de imediato”, revelou.

Além do cabo submarino da EllaLink, instalado em Sines, “temos também terrenos infraestruturados para receber outros cabos de transmissão de dados.

Temos, igualmente, uma nova área de desenvolvimento empresarial que levou a Aicep Global Parques, a Câmara Municipal, e a Ellalink, a criarem o Sines Tech para a captação e fixação de novos investimentos tecnológicos”.

No seu entender, o projeto que a start campus, empresa detida pelos norteamericanos da davidson Kempner e pelos
britânicos da Pioneer Point Partners, pretende implementar em Sines “está completamente alinhado com os pontos
essenciais da agenda da Comissão Europeia e da Presidência Portuguesa do Conselho Europeu” E alia dois importantes desígnios: “O contributo para a consolidação da transição energética, introduzindo como condição fundamental para a sua concretização o consumo de energia produzida a partir de fontes renováveis ou alternativas e internalizando processos de refrigeração sustentáveis e o contributo para a transição digital, localizando em Portugal e em Sines um centro de dados de nível mundial, de última geração”.

Para o Autarca, este megacentro “dará resposta aos maiores operadores mundiais de dados e de plataformas digitais, posicionando-se na dianteira dos projetos mais inovadores e mais ambiciosos”. O denominado Sines 4.0, o projeto
prevê um investimento de “até 3.500 milhões de euros ”num ‘campus Hyperscaler Data Centre’ , com capacidade até 450 Megawatts (MW), que “criará até 1.200 postos de trabalho diretos altamente qualificados e pode vir a gerar
8.000 novos empregos indiretos até 2025”, segundo a empresa promotora.

Com início de construção previsto para 2022, envolvendo 900 pessoas numa primeira fase e até 2.700 no total, o Sines
4.0 deverá inaugurar, no final de 2023, o primeiro dos cinco edifícios projetados. Além de apresentar o investimento, a
start campus – empresa detida pelos norteamericanos da Davidson Kempner Capital Management LP (Davidson Kempner) e pelos britânicos da Pioneer Point Partners – assinou com a AICEP Global Parques o contrato do direito de superfície do terreno onde está previsto “nascer” o megacentro de dados.

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