Editorial

Editorial: Os desordeiros sempre foram os mesmos

A Primavera vai adiantada e já vai cheirando a Verão. Mas sinto que é um cheiro a medo. Como uma criança que quer comer uma guloseima, mas tem medo de a tirar do pote, porque pode levar uma palmada da mãe, visto que já comeu demais.

Estamos a querer viver um tempo mais normal, mas ainda temos medo que as sanções surjam e nós sejamos apanhados. Mas queremos fazer, pois o nosso pensamento vai para aquilo que era hábito fazer neste tempo. O cheiro a um piquenique no campo com vista para o mar, uns familiares, uns amigos, qual cheiro a sardinha assada ou carne.

Um parque no campo onde a família vai passar o dia. Um passeio na Cidade a visitar os seus monumentos e seus jardins… tudo vem ao nosso pensamento. Que bela terapia para a nossa mente neste tempo em que “já pode” e “ainda não”. Já não sabemos ao certo o  que é possível fazer. Eu que até vivo num país livre em que me é permitido fazer tanta coisa e que agora tenho de pensar bem, se aquilo que desejo ou quero fazer é permitido. Que acção educativa me foi dada por esta pandemia.

“Eu ainda sou do tempo” em que ouvia dizer que eu posso fazer o que eu quiser… mas afinal nem sempre é assim, nem sempre assim é possível. Temos o respeito pelos outros. Esta pandemia veio colocar um travão para o respeito por mim e pelos outros. Quando vejo manifestações contra as regras e leis de imposição de confinamento lembro-me como estas pessoas sempre foram as desordeiras da sociedade, e agora elas revelam-se.

Quem de facto cumpria as regras sociais de respeito e solidariedade, neste tempo cumpre e obedece por si e pelos outros. Aqueles que viviam já neste mundo como se ninguém existisse, tiveram de abrir os olhos e ver que afinal não são os únicos. Existem outras pessoas que também partilham consigo este mundo.

Estamos irmanados neste mesmo mundo. Será possível vivermos mais um verão, assim esperamos de um modo diferente. Continuando com as regras básicas de máscaras, álcool gel e distanciamento, mas já com a espectativas que as vacinas estão aí e começam a fazer o seu efeito. Sim, todos esperamos que as vacinas nos libertem destas máscaras que tanto nos afligem. Este verão poderá já ser um pouco diferente. Mas com o mesmo sentimento de respeito e proteção. 

Abílio Raposo, Diretor

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