Sociedade

Abertura da Lagoa de Santo André ao Mar

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA), através da sua Administração da Região Hidrográfica do Alentejo, promoveu no passado dia 12 de março, a abertura da Lagoa de Santo André ao mar, através do rompimento da duna que separa a albufeira da Lagoa do mar.

Esta intervenção é realizada anualmente, em estreita coordenação com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) – Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha, face ao interesse comum na manutenção
da qualidade da água e espécies piscícolas desta Lagoa, contando igualmente com a importante colaboração da Autoridade Marítima Nacional, através da Capitania do Porto de Sines.

Esta operação foi concluída cerca das 17h00 da passada sexta-feira, 12 de março, considerados que foram os fatores
físicos atuantes, designadamente a condicionante do estado do mar.

Com esta ação agora desenvolvida, visou-se a renovação da água contida na albufeira da Lagoa, melhorando a
qualidade dos ecossistemas, através da abertura de um canal profundo perpendicular ao mar, com recurso a meios
mecânicos, escavado abaixo da cota de fundo do corpo lagunar, para que o esvaziamento seja eficiente, promovendo-se o arrastamento dos sedimentos lodosos do fundo.

Em virtude da atual crise de Saúde Pública, foram aplicadas as normas estabelecidas pela Direção-Geral da Saúde, no sentido de evitar aglomerações de pessoas, pelo que o acesso ao local da intervenção foi bastante limitado e
restringiu-se exclusivamente aos operacionais relacionados com a mesma operação, entidades representativas dos
organismos intervenientes, órgão de informação e um pequeno grupo de pescadores que todos os anos se faz
representar no ato.

A operação agora levada a efeito foi tecnicamente bem-sucedida, no que concerne à ligação Lagoa / mar, mas
levanta-nos algumas questões quanto aos objetivos que se pretendem atingir principalmente ao nível dos ecossistemas.

Como habitualmente, esta adjudicação não contempla a limpeza das margens que com o abaixamento do nível freático põe a descoberto um volume anormal de resíduos cuja manutenção física no local são um risco não só a saúde pública como para os ecossistemas cuja defesa é visada com esta ação agora desenvolvida.

Uma breve caminhada pelas margens da Lagoa, evidencia toda uma falta de consciência por parte dos seus utilizadores e autoridades que nela superintendem, abundando os plásticos, canas e redes abandonadas, estas funcionando como armadilhas letais para as aves que utilizam a zona nas suas migrações sazonais. Outro dos problemas existentes prendem-se com a exploração pecuária desenvolvida nas margens da Lagoa.

Se é certo que estes fatores não são de agora, em nossa opinião, seria agora, uma boa oportunidade para começar a resolver e a melhorar essas anomalias.

Quanto à estrutura de acessos pedonais existentes no Parque Natural com especial incidência no perímetro lagunar, os painéis informativos e sinalética, supomos que terão de ser a curto prazo substancialmente melhorados e atualizados, para bem dos utilizadores e defesa dos ecossistemas, conseguindo-se assim uma rentabilização dos recursos naturais existentes.

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