Desporto / Economia / Sociedade

Turismos rurais, academias de ginástica e escolas de surf resistem à pandemia e retomam atividade

Com o início do desconfinamento e a adoção de medidas que permitem retomar a economia são muitas as atividades que, a pouco e pouco, começam a reabrir ao público e a adaptar-se à nova realidade provocada pela pandemia de covid-19.

Atividades como os turismos rurais, escolas de surf e academias de ginástica, estão a ganhar novo fôlego, depois de dois meses sem faturar, respondendo às exigências que a doença da covid-19 veio impor à economia local e regional.

É o caso do turismo rural ‘Monte do Giestal’, em Abela, no concelho de Santiago do Cacém, que explicou ao programa M24Live, da rádio M24, que voltou a abrir as suas portas ao público no
passado dia 15 de maio, precisamente, dois meses depois da pandemia obrigar ao encerramento do espaço “devido aos inúmeros cancelamentos”.

“Começaram a haver muitos cancelamentos e optei por fechar em 15 de março também para evitar que houvesse problemas na nossa zona e retomei no passado dia 15 de maio. Estive dois meses
sem qualquer receitas com grande parte das despesas, fornecedores do dia a dia, embora não tenha neste momento qualquer divida com fornecedores ou trabalhadores”, explicou Guida Silva,
proprietária do Monte do Giestal.

A reabertura obrigou a algumas adaptações na zona das habitações “com alpendre comum” que vai “ser dividido para que cada residente não tenha sequer contacto visual com o vizinho”.

De acordo com a empresária, a atividade sazonal, que vive maioritariamente da época de verão, não terá problemas com a taxa de ocupação face à resposta que tem recebido por parte dos turistas, desde a sua reabertura.

“No verão é provável que não haja grande alteração desde que a situação não se agrave. Abri no fim de semana anterior e tive casa meia, e há procura. Em termos de fim de semana já consigo ter a ocupação muito próximo do total, os feriados de 10 e 11 de junho também já está tudo completo
e acredito que há mais procura na nossa zona”, explicou.

Comum a equipa fixa de sete funcionários, o turismo rural recorreu ao “lay-off parcial”, Guida Silva, reconhece que a sua maior preocupação vai para a necessidade de “conseguir manter os postos de trabalho”.

“O meu grande esforço é conseguir manter os postos de trabalho porque o problema é quando chegar o inverno que é sempre uma época de menor procura. A grande diferença no meu turismo é o Spa, que é a única estrutura que se mantém encerrada, embora considere que tem todas as condições para abrir, com as devidas adaptações e tenho esperança que as pessoas não queiram sair só agora, no verão, mas também no inverno”, realçou.

Os clientes, diz, “não” manifestam receio de virem para o Alentejo e na reabertura “os clientes estiveram totalmente à vontade” pelo facto de estarem numa região com poucos casos de covid-19.

“Houve até uma casa, deste fim de semana, que marcou novamente para o próximo fim de semana e para o mês de junho”, relatou a empresária que espera “que a procura não seja demasiada”.

Academia de treino funcional reabre aos poucos adaptando-se à nova realidade

Com a academia de treino funcional encerrada há mais de dois meses, o instrutor Diogo Filipe, proprietário da DFAcademy, lida agora com as quebras na sua faturação e tenta ultrapassar os efeitos que a pandemia de covid-19 provocou a um investimento que estava “em plena ascensão” e que sofreu quebras na ordem dos 80 por cento.

“Esta pandemia veio estagnar a evolução da academia mas por outro lado obrigou-nos a aumentar a nossa capacidade de adaptação a esta fase difícil. Fechei o espaço fisicamente em 13 de março mas continuei a fornecer aos meus atletas treinos para que pudessem fazer em casa, em segurança, iniciei uma parceria com a rádio M24, disponibilizando, semanalmente, dois treinos para que as
pessoas se mantenham ativas mas em termos de rendimentos sofri uma quebra à volta dos 70 a 80%”, explicou o instrutor.

Com cerca de 120 atletas, a academia, que funciona em Sines, recorreu “ao apoio do Estado” nos dois primeiros meses e conta pedir apoio “parcial” para o mês de maio.

“Estou em vias de passar para um espaço novo e mesmo com esse apoio, que ainda não recebi, não é fácil. Entretanto, tive de ser mais criativo e trabalhar com coisas que não estamos habituados e fiquei muito contente porque, mesmo online, consegui incentivar pessoas a iniciarem a sua prática”, referiu.

A reabertura gradual “com aulas ao ar livre” foi uma das adaptações da academia com horários e treinos adaptados para cinco atletas e o distanciamento de dois metros quadrados entre os atletas.

“A procura foi muito acentuada e concordo que abrir já os ginásios, mesmo cumprindo as normas, não iria ser muito seguro e como estamos com condições atmosféricas que permitem as aulas no
exterior, desta forma, garantimos a sua segurança”, concluiu.

Escola de Surf do Litoral Alentejano reabriu com número de alunos mais reduzido

Também o negócio ligado ao surf sofreu quebras devido à pandemia e a Escola de Surf do Litoral Alentejano (ESLA), em São Torpes, no Concelho de Sines, não foi exceção, com o cancelamento das aulas de surf durante dois meses que provocou uma quebra acentuada na faturação.

“Estivemos encerrados desde 12 de março e retomámos na segunda-feira, 18 de maio, aos poucos, com algumas normas depois de dois meses completamente parados e sem entrar no mar. Vamos
trabalhando com aulas de surf ao longo do ano mas existem alunos regulares a quem damos aulas, quando as condições estão boas, e tivemos que encerrar os treinos”.

Os meses de março e abril, “são períodos em que recebemos já algum turismo, devido às férias da Páscoa e alguns feriados, com ondas, e por isso tivemos uma grande quebra na nossa receita”, revelou no programa M24Live, da rádio M24, o proprietário da escola de surf, Flávio Jorge.

O instrutor de surf, aproveitou a paragem de dois meses, para fazer “a manutenção e melhoramento das instalações” da escola “e ganhar algum tempo” até que sejam conhecidas as
normas para reatar a atividade.

“Neste momento já existe alguma procura de aulas de surf e as pessoas voltaram a querer praticar. Foram impostas algumas regras, inclusive, a Federação Portuguesa de Surf, em conjunto com a organização Médicos do Mundo, lançaram um guia prático para voltarmos a ensinar surf com informações bastante úteis, como o número mais reduzido de alunos por treinador, a desinfeção dos espaços, a utilização do material, as distâncias devidas, para quem tem instalações como nós, evitar que as pessoas usem-nas para vestir e despir os fatos, medidas que estamos a cumprir”,
sublinhou.

Considerando que a recuperação pode ser mais lenta, o empresário reconhece que a situação poderá ser bem pior se as linhas áreas se mantiverem encerradas.

“As ondas nesta altura são boas para aprender a fazer surf porque são pequenas e com o tamanho certo para a aprendizagem e há muita gente que acaba por estar na zona, porque o Alentejo, foi
menos atingido, e que querem fazer surf e voltar para a água”, sublinhou o instrutor que vai reduzir o número de alunos nas aulas.

Por norma “na nossa atividade normal o racio é de 1 treinador para 08 adultos e no caso das crianças um treinador para seis crianças e agora vamos passar para um treinador para cinco alunos. Nas nossas aulas existe um número limite e muitas aulas já são dadas com um número muito abaixo desse limite porque estamos a falar de uma atividade que exige muita concentração e todos os cuidados”, concluiu.

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