Entrevista

Nuno Mascarenhas: “Economicamente este será um período complexo, com impacto nas empresas e nas famílias”

Numa entrevista ao Jornal “O Leme”, Nuno Mascarenhas, Presidente da Câmara Municipal de Sines, com o País em Estado de Calamidade, deixa uma “mensagem de confiança e esperança”. Confiança nas Instituições. Apela para que todos continuem a cumprir as medidas preventivas recomendadas e que o Município está empenhado em ajudar o relançamento da atividade económica no concelho.

Perante a Pendemia Covid19, a Câmara Municipal de Sines (CMS) ativou logo no início um Plano de Contigência e posteriormente uma longa lista de medidas de apoio extraordinárias. Como foi resolver tudo isso num curto espaço de tempo?

A situação que vivemos nestes últimos de tempos é uma situação extraordinária e, como tal, exige
respostas extraordinárias. Ninguém estava preparado para lidar com uma calamidade deste género, mas a missão pública é isso mesmo: responder às necessidades das populações em tempo útil. A articulação dos serviços municipais entre si e a articulação da Câmara Municipal com outros serviços, designadamente com a autoridade de saúde municipal, foi determinante para termos capacidade de resposta.

Como tem sido para si e para o executivo da CMS gerir tantas situações estranhas e tantas emoções desde que começou este problema?

É um desafio diário. Na realidade adaptámo-nos todos muito bem e isso é visível na forma como as pessoas entenderam a necessidade de se resguardarem e adotarem comportamentos preventivos. Temos uma enorme preocupação em relação à fase seguinte, de adaptação às condições de retorno à vida quotidiana que serão muito exigentes e temos consciência de que economicamente este será um período complexo, com impacto nas empresas e nas famílias.

Foi difícil reorganizar os serviços do Município para fazer face a um problema desta dimensão… teve que tomar decisões rápidas, como colocar os trabalhadores em teletrabalho, outros em prevenção, outros mantendo-os no edifício, etc, etc? Tem corrido bem…

Tem corrido tudo muito bem. Houve uma grande entrega de todos os trabalhadores, uma enorme cooperação entre serviços para que a Câmara continuasse a funcionar em condições especiais. Tenho de fazer uma referência especial aos trabalhadores que, por natureza das suas funções, não
tiveram a oportunidade de optar pelo teletrabalho e, dessa forma, foram chamadas a estar permanentemente na linha da frente e em condições extraordinárias. Existem serviços que têm de ser executados diariamente e que têm de ser realizados no local. Esses serviços essenciais nunca pararam e ainda cresceram neste período, pois foi preciso reforçar a limpeza e desinfeção de espaços públicos e dar apoio a diversas instituições e organizações do concelho.

Na área social, a Câmara criou algum programa? Se sim, como está a decorrer? Há muitos pedidos de auxílio…

As medidas de natureza social estão num pacote de mais de 20 medidas que a Câmara Municipal apresentou. Paralelamente as Juntas de Freguesia também vêm fazendo um trabalho de proximidade muito importante, por exemplo no apoio às compras das pessoas a isenção do
pagamento de várias taxas. Tem no horizonte mais alguma ajuda para os empresários/comerciantes locais, que estão em situação muito difícil? que não as conseguem realizar sozinhas. Adicionalmente entregamos EPI´s às diversas IPSS´s do concelho por forma a estarem melhor preparadas para fazerem face a esta pandemia. As próprias escolas conseguiram muito agilmente adaptar-se e a Câmara também acabou por adquirir um conjunto de equipamentos informáticos
para que as escolas pudessem colmatar algumas necessidades das famílias.

Para os empresários locais e para as Instituições, determinou a isenção do pagamento de várias taxas. Tem no horizonte mais alguma ajuda para os empresários/comerciantes locais, que estão em situação muito difícil?

Para além dessas isenções que representam várias centenas de milhares de euros, muito brevemente iremos disponibilizar uma linha de apoio às empresas de modo a prestar toda a
informação aos nossos empresários sobre os auxílios que vêm sendo anunciados pelo Governo, nomeadamente no que respeita aos apoios para a adaptação dos espaços nesta fase  desconfinamento. Esta não é uma medida exclusiva da Câmara de Sines, é um projeto que se desenvolve no seio da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral e que cada um dos cinco
Municípios articula localmente. Naturalmente que, após esta fase em que também apoiámos o comércio local com a distribuição de máscaras descartáveis, estamos a ponderar diversas medidas de estímulo da economia local e que, antes de mais, será discutido e apresentado aos empresários.

A Câmara para acudir/ajudar a todos (Municipes, Instituições, empresários, etc), quer em materiais, quer em equipamento e outros, tem feito um investimento grande, pode quantificar?

A Câmara tem feito aquilo que está ao seu alcance e que se justifica em cada momento. Adquirimos máscaras para apoiar as instituições do concelho, adquirimos máscaras para distribuir no comércio local, recebemos alguns donativos de EPI´s que também foram importantes para esta fase de reabertura do comércio. Reforçámos a limpeza urbana, inclusive com a aquisição de vários
equipamentos e apoiámos diversas instituições nas desinfeções das suas instalações. O mais importante não é quanto a Câmara gastou neste período, o mais importante é que se tenham garantido as melhores condições para ultrapassar este desafio.

Com o fim do Estado de Emergência, o Municipio está a adotar um plano gradual de desconfinamento… se a situação retroceder no País e no concelho, a Câmara está preparada para ajudar nas respostas necessárias?

Claro que sim. A Câmara está sempre disponível para colaborar com as autoridades nacionais e locais. Devemos ter consciência de que esta fase de desconfinamento não nos dá nenhuma garantia de correr como é o desejo de todos, mas para que corra o melhor possível temos que continuar todos muito empenhados. Manter as medidas preventivas, de higienização, a distância
social, a etiqueta respiratória, usar os equipamentos de proteção individual, como as máscaras e as viseiras. O problema não está resolvido, mantê-lo controlado depende muito do conjunto dos
comportamentos de cada um de nós.

Que mensagem quer deixar à população neste momento tão difícil…

Uma mensagem de confiança. E de esperança. Esta situação demonstrou que podemos confiar nas instituições. O serviço nacional de saúde ultrapassou esta enorme provação sem rutura, com enorme esforço dos seus profissionais, com resiliência e sucesso. As autoridades de saúde, a proteção civil, as equipas de apoio social, foi todo um envolvimento multidisciplinar e dos vários níveis da administração admirável. Da nossa parte iremos continuar alertas, ao mesmo tempo que empenhados em ajudar o relançamento da atividade económica no
concelho.

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