Sociedade

Misericórdias mantêm planos de contingência ativos devido à covid-19

As Misericórdias de Sines, Santiago do Cacém e Grândola adotaram, desde o início da pandemia de covid-19, planos de contingência com um conjunto de medidas para prevenir o contágio entre os utentes.

No debate promovido pela rádio M24,os provedores das Misericórdias do litoral alentejano foram unânimes em dizer que estas instituições souberam prevenir-se contra os focos de infeção, ao contrário de outras regiões do país.

“À medida que íamos criando condições para melhorar o nosso funcionamento, assim o fizemos e ainda fazemos. Fomos das primeiras Instituições a fazer testes porque logo no início tivemos uma funcionária da lavandaria que confirmou positivo para covid-19 e isso obrigou-nos a testar os nossos funcionários e ninguém acusou positivo”, explicou o provedor da Misericórdia de Santiago do Cacém, Jorge Nunes.

Além de ter obtido “as análises e os testes com rapidez”, o provedor da instituição diz que “sem camas vagas” e sem espaços de reserva foi necessário recorrer “ a um turismo rural, para onde
desviamos alguns idosos deixando uma zona livre com 16 camas para a necessidade de isolar” utentes.

Também a Misericórdia de Sines, ativou o seu plano de contingência, desde 06 de março, para prevenir eventuais contágios decorrentes desta pandemia, que foram sendo atualizados à medida das orientações das autoridades de saúde.

“Desde o 01 de abril que está em vigor a terceira versão do plano de contingência para acompanhar a evolução e os eventuais riscos. Suspendemos as visitas, as atividades lúdicas e a saída dos residentes para o exterior, a admissão de novos utentes e, desde 23 de março, que
adotamos um regime de trabalho de equipas em “espelho” com turnos de 12 horas”, avançou o provedor da Misericórdia de Sines, Eduardo Bandeira.

Considerando estas Instituições “autênticas bombas-relógio”, o provedor da Misericórdia de Grândola, Horácio Pereira, adiantou que logo no início da pandemia foi criado um Gabinete de Crise e encerradas as visitas aos utentes.

“Conseguimos logo de início fazer uma formação contínua aos nossos funcionários para os mentalizar do esforço que teriam de fazer para manter um certo rigor nas tarefas que lhe eram exigidas. Passamos a fazer a higienização das fardas de trabalho e criamos espaços de isolamento”, adiantou o provedor que não registou casos positivos.

Com 338 utentes, no centro de dia, lar e apoio domiciliário, a Misericórdia de Santiago do Cacém já rastreou a quase totalidade dos 300 trabalhadores.

“Todos acusaram negativo, tivemos um caso ou outro que ainda nos assustaram mas felizmente foi falso alarme”, sublinhou Jorge Nunes que lamenta “os atrasos nos resultados dos testes”.

No caso da Misericórdia de Sines, o provedor Eduardo Bandeira, defende a testagem de todas as pessoas “para identificar se haviam casos positivos” e com a abertura do centro de rastreio móvel, em Sines, foi possível realizar os testes e “obter os resultados em 48 horas”. “Até ao fim de abril testamos todos os trabalhadores que estão ao serviço e que têm contacto direto ou indireto e todos testaram negativo. Aos residentes, como não tinham sintomas, optamos por não fazer testes”.

Na Misericórdia de Grândola, os responsáveis, aguardam que durante o mês de maio seja possível iniciar o rastreio entre os funcionários, pela Universidade do Algarve.

“Segundo a opinião dos nossos técnicos iremos fazer apenas aos funcionários porque não temos nenhum problema e os médicos não querem expor os utentes. Isto é uma prova do trabalho que tem sido feito pela Misericórdia”, disse Horácio Pereira.

D e acordo com o provedor da Misericórdia de Grândola, estas instituições “deixaram de ser lares de internamento para passarem a ser hospitais de retaguarda, sem convenções de saúde, e com uma verba que não chega a 400 euros por mês temos de fazer tudo isto. Cada vez mais os familiares têm dificuldade em pagar a sua mensalidade”, acrescentou.

Quanto à abertura das creches, o provedor da Misericórdia de Sines, explicou que está prevista para 01 de junho e aguarda pelas medidas que possam ser implementadas “preparando-se para reabrir nessa data, mobilizando os trabalhadores, aplicando as medidas que já temos implementadas no Lar, em termos de higienização mas outras medidas do número de crianças por sala ainda não temos informação”.

Por sua vez, Jorge Nunes, da Misericórdia de Santiago do Cacém, diz que apesar da abertura “parcial no dia 18 de maio”, será difícil manter as creches em funcionamento.

“Já não é possível aguentar os prejuízos das creches e para aguentar os trabalhadores e toda a estrutura não sei mais onde ir buscar o dinheiro para as manter. Se calhar, tenho de fazer as contas,
e encerrar e esta crise veio agravar a situação”, concluiu.

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