Sociedade

Pandemia faz aumentar pedidos de ajuda na Região

Podemos dizer que a vida das pessoas desde que começou a Pandemia mudou totalmente. Muitos chefes de família ficaram sem emprego. O que quer dizer que muita gente neste momento não está a receber ordenado e têm que recorrer às Instituições para ajudá-las. A Pandemia do Covid19 fez aumentar os pedidos à Cáritas e ao Banco Alimentar que neste tempo ajudam muito mais famílias.

Casais jovens sem emprego Este aumento são novos casos de pobreza, provocados sobretudo pelo
desemprego de pessoas que tinham trabalhos precários, pela lay off e de profissionais liberais, que apenas recebiam quando trabalhavam.

Manuela Eloi, Presidente da Cáritas de Santo André explica que nesta altura “a maioria dos pedidos de ajuda alimentar, posso dizer quase 100%, vêm de casais jovens com filhos e os 50 novos casos, as razões principais apontadas são a perda de emprego e pessoas em Lay off”. O mesmo se passa em Sines “o grupo etário que recorre à Cáritas são pessoas novas com filhos e que foram dispensadas do trabalho ou ficaram mesmo sem emprego, em tempo de Pandemia distribuimos mais 43 cabazes de alimentos” diz a Irmã São. Os pedidos que chegam ao Grupo Juntos Somos mais Fortes são pedidos de pessoas de todas as faixas etárias e chegam de fora das familias, normalmente quem precisa não pede” diz Cristina Santos.

Em Vila Nova de Santo André, Santiago e Sines, tal como no resto do país os pedidos de ajuda à Cáritas e a outros Grupos de ajuda, têm chegado cada vez
mais. Irmã São, Presidente da Cáritas de Sines refere que “sempre que há problemas económicos/sociais o número de pedidos aumenta”. À Caritas Paroquial de Sines, recorrem habitualmente, 108 famílias abrangendo 294 pessoas (140 homens e 154 mulheres) buscando bens
alimentares. Para a Presidente “olhando para os apoios que a Caritas de Sines tem – Banco Alimentar contra a Fome e poucos particulares – este é um número de famílias muito elevado. Em Vila Nova de Santo André, a Cáritas Paroquial ajuda 250 pessoas. Também Cristina Santos, do
Grupo “Juntos Somos mais Fortes” auxilia cerca de 50 famílias. Em Santiago do Cacém a Conferência Vicentina São Tiago e São João de Deus está a dar assistência a 50 agregados familiares, cerca de 200 pessoas, mais 10 do que o habitual.

Também aqui os pedidos são de pessoas desempregadas, muitas em Lay off. Em Santiago do Cacém os pedidos englobam familias grandes, jovens e idosos e neste momento “temos pedidos de várias famílias em Layoff e desempregadas, após o início da pandemia” referem Ana Barata e Maria José Liberato, da Conferência.

O que as pessoas procuram mais nestas Instituições são alimentos, atenção, palavras de conforto “curiosamente nesta altura, também temos pedidos de mobiliário” diz Manuela Eloi. Maria José,
Presidente da Conferência explica que “além dos cabazes estamos a distribuir roupas, mobiliário, e fazemos alguns pagamentos de água, luz e gaz”.

As ajudas não são muitas para poder ajudar com mais produtos. Segundo a Presidente da Cáritas de Sines “o Banco Alimentar contra a Fome dá cada vez menos produtos para a Caritas distribuir e
por regra cada pessoa só tem direito a levar um total de 2Kg 600g (ex: 1Kg de arroz,1 Kg de açúcar,0,5Lt de leite) e acrescenta “da Segurança Social, a Caritas Paroquial de Sines não recebe nada”. Para Manuela Eloi “o Banco alimentar como é óbvio, dá em função do que recebe. Notoriamente o volume de géneros alimentares que recebemos, foi menor”. A Conferência Vicentina lamenta “não temos apoio da Segurança Social e o Banco Alimentar não aumentou a quantidade de alimentos a distribuir, além disso a rede de emergência Alimentar, tem recorrido aos nossos serviços com pedidos para apoio à algumas famílias. Só em dois dias foram mais 6 famílias”.

Como ajudar

Fora as Instituições, a comunidade, “pode sempre ajudar e nesta situação é fundamental, haver um olhar mais atento à nossa volta, tendo maior sensibilidade, perscrutando, as necessidades pelas quais possa estar a passar, quiçá, algum vizinho(a) ao lado. Ajudar no que puder e logo, recorrendo à Segurança Social, que por sua vez nos contacta” diz a Presidente da Cáritas de Santo André. Para a Irmã São “a comunidade local está confinada o que torna difícil fazer apelo para ajudar com
bens”. Já a Conferência Vicentina refere que “a comunidade nesta altura de pandemia não tem ajudado e poderiam ajudar doando enlatados, leite e azeite, que é a nossa lacuna”.

Segundo Manuela Eloi “ser carenciado, é uma situação que debilita primeiro de tudo o estado emocional. E temos o maior respeito e susceptibilidade, por todas as situações com que nos deparamos no dia a dia, pois não sabemos, se no futuro estaremos em situação inversa! É um facto
que a emoção está sempre em nós, no entanto, há casos que nos tocam muito mais que outros”.

Recentemente “fiquei deveras impressionada, quando me ligou um senhor pedindo ajuda alimentar e chorando compulsivamente, repetia: «Nunca imaginei vir a pedir, alguma vez na minha vida!!!». Eu, tentei acalmá-lo e repondi-lhe: Nós nada sabemos sobre o amanhã e quem sabe se um dia, os papéis se invertem e é o o senhor que me ajuda a mim. O acto de pedir, não é fácil… E é sempre acompanhado com um misto de humildade, desonra e embaraço”.

Para Maria José e Ana Paula Barata dizem “não sabemos se é por lidarmos com tantas situações distintas que não nos aparecem casos extremamente graves, já os tivemos anteriormente, mas no
momento só temos o reflexo das dificuldades económicas da pandemia”.

Para a Presidente da Cáritas de Sines, um dos casos que mais a preocupou foi de “uma jovem mãe, com três filhos pequenos, com familiares mais velhos doentes, em casa, com o marido desempregado e um jovem pai com dois filhos em idade escolar e que ficou desempregado. Num caso e no outro sem saberem como sobreviver”.

Conferência Vicentina São Tiago e São João de Deus, fazem um apelo “os cidadãos ou empresas que nos queiram e possam ajudar com alimentos ou donativos o façam, pois estamos muito
necessitados”.

A Cáritas Paroquial de Santo André aproveita para agradecer à Junta de Freguesia de Santo André, Câmara Municipal de Santiago do Cacém, RLIS, Segurança Social, local e G.N.R. por estarem sempre disponíveis quando é preciso o seu apoio.

A pouca poupança acabou….

Afonso, trabalhou sempre desde muito novo, tem 60 anos, vive sózinho. Veio de Angola muito novo, trabalhou sempre na área da restauração. Nunca teve falta de emprego. Sempre trabalhou para ter uma vida mediana e até agora sempre teve as suas contas em dia, mas a vida mudou…

Há dois meses, quando chegou a Pandemia, o restaurante onde trabalhava fechou, já não vai abrir. Hoje, Afonso vive da ajuda de uma Instituição que lhe dá alimentos. A pouca poupança que tinha,
serviu para pagar as contas de dois meses, mas a pequena poupança está a acabar. Precisa de pagar renda, água e luz… A assistente social que tem o seu caso já tratou da documentação para Afonso ter direito a um subsídio do Estado, mas até agora nada. Este homem com tristeza diz
“sempre fiz os meus descontos para o Estado. Nunca tive uma divida, mas estou a ver que este mês não vou conseguir pagar as minhas contas, pois o pouco que tinha, está a acabar…” lamenta. Afonso, é uma de muitas outras pessoas, que tinham a sua vida normal sem dívidas, e que esta
Pandemia veio modificar. Por sua vez o Estado diz que está a tratar destes casos com rapidez…mas o Afonso continua à espera há dois meses…

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