Economia / Sociedade

Arnaldo Frade: “Fechámos o mês de março com mais 31% de desempregados do que no mesmo mês do ano passado”

Desde o início da pandemia de covid-19 aumentaram o número de inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional  (IEFP) na região do Litoral Alentejano?

Arnaldo Frade  – No Alentejo Litoral a tendência é igual à tendência da região e do país e temos de facto um acréscimo significativo de pedidos de emprego, quer em Sines quer em Alcácer
do Sal, portanto na área de abrangência dos cinco municípios da região. Fechámos o mês de março com 3761 desempregados, o que quer dizer que tínhamos nessa altura mais 31% de desempregados do que no mesmo mês do ano passado, o que é uma subida muito significativa até porque é a maior subida das sub-regiões do Alentejo. Registámos subidas de 9,7% no Alto Alentejo, 3,6% no Alentejo Central e 2,3% em Évora e, de facto, no Alentejo Litoral, a subida é de
31%, é mais significativa.

E isso deve-se a quê?

Isto deve-se ao quadro que vivemos e ao facto de, do ponto de vista da economia, as coisas terem sofrido um retrocesso significativo em vários setores, mas, maioritariamente, estamos a falar de
profissões na área da manutenção industrial, quer no país, quer no estrangeiro, portanto pessoas que estavam colocadas no estrangeiro nessas áreas de soldadura, e depois também algumas
pessoas da agricultura que felizmente vão sendo recolocadas à medida que as colheitas de primavera verão vão exigindo mão-de-obra, mas também temos o setor da restauração e turismo, que devido ao encerramento de muitas estruturas, o desemprego tem subido nesta área, por isso o quadro não é positivo nesta região.

E qual é o reflexo que isto poderá ter?

Há uma coisa que nos deve fazer ter alguma esperança é que estas pessoas, em situação normal, têm facilidade de colocação. São profissionais especializados e estão numa situação de desemprego não por uma questão de evolução normal da economia mas por uma situação externa que provocou a situação que conhecemos e portanto devemos ter a esperança de que, à medida
que nos possamos aproximar da normalidade, embora todos temos a consciência que a normalidade do futuro não será igual à normalidade do passado, mas ainda assim temos aqui a esperança de que à medida que as atividades forem sendo retomadas estas pessoas têm o seu
lugar no mercado de trabalho e estamos em crer que poderão transitar de novo para o mercado de trabalho. Nós estávamos com um nível de desemprego muito baixo, comparado com o que acontecia há 6 ou 7 anos e as pessoas que tínhamos no nosso ficheiro eram pessoas com alguma
dificuldade em entrar no mercado de trabalho, não só pela falta de determinadas competências, mas por terem uma vida pessoal que nem sempre possibilita a formação profissional, eram públicos muito mais complicados e difíceis de inserir no mercado de trabalho. Aqui não estamos a falar disso, mas de pessoas que podem, com a retoma da economia e das atividades, obter de novo uma colocação.

Qual é o perfil destas pessoas que recorreram ao desemprego?

São profissionais já com muita experiência, em idade ativa, e com experiência significativa não só a nível nacional, como em alguns casos, internacional, que com facilidade poderão retornar aos mesmos complexos onde trabalhavam porque muitos são colocados por empresas de trabalho temporário, e não pertenciam aos quadros das empresas onde estavam a prestar trabalho. Mas quer relativamente a esses espaços onde desenvolviam a sua atividade, como de novos projetos que possam ter, estamos em crer que pela experiência e formação que estas pessoas têm um perfil que se adapta quase imediatamente ao mercado de trabalho, assim os postos de trabalho surjam. Vamos ver se o futuro corresponde ou temos de ter alguma atenção mais acrescida mas enquanto as pessoas estiverem connosco e inscritas tudo faremos para as acompanhar, não só do ponto de vista de tramitar toda a documentação necessária para prontamente receberem o subsídio [de desemprego], como poderem ter alguma formação profissional para atualizar os seus conhecimentos. O nosso desafio também passa por atualizar as pessoas ao mercado de trabalho, embora, estejamos a enfrentar esta pandemia e a questão do distanciamento social e os cuidados de saúde, por vezes, não permitirem a formação presencial. Neste momento estamos já com um nível significativo de pessoas com formação à distância nas áreas em que não há uma dimensão prática mas tudo o que tem a ver com as profissões de manutenção industrial, tem uma componente prática muito forte e temos de ver em que medida podemos ajudar tendo a preocupação que é preciso preservar um eventual contágio.

Sines foi o centro que mais contribuiu para esses números? 

Sim. Sines tem uma dimensão maior porque tem uma área territorial que abrange 3 municípios, Sines, Santiago do Cacém e Odemira, embora quando falamos de desemprego a questão colocase
apenas a um individuo.

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