Necrologia

Adeus, Raúl Oliveira: o Homem que esteve sempre ao serviço do jornalismo

O nosso jornal certamente não seria o mesmo se não tivéssemos tido a ventura de o ter como colaborador desde os primeiros tempos da sua fundação.

Com uma verdadeira paixão pelo jornalismo, pela crónica escrita com estilo interventivo, usando o sarcasmo e a ironia para se colocar sempre do lado dos mais fracos, do lado daqueles que são vítimas de todos os poderes, Raúl Oliveira tornou-se ao longo da sua carreira jornalística uma referência para todos os seus leitores e colegas de trabalho.

Com uma disponibilidade de jovem, arranjou sempre energia e tempo para dar cobertura a todos os eventos políticos, sociais e culturais da região. Com o seu entusiasmo abraçou novos projetos, fundou o jornal “Litoral Alentejano” com um grupo de pessoas que tinham começado no jornal “O Leme” e participou em quase todos os projetos de jornais e revistas que o seu Alentejo criou.

Conhecido e acarinhado por todas as pessoas, fomos testemunha diretas de muitas manifestações de admiração da parte dos seus leitores.

Lembramo-nos do respeito e consideração que o fundador do nosso jornal, o padre Manel, tinha pelo jornalista e pela pessoa que era Raúl Oliveira e que todos os colaboradores de “O Leme” partilham pela sempre respeitada figura do nosso decano.

Independente, irreverente e cáustico nas suas análises sociais e políticas, demonstrou sempre lealdade e urbanidade mesmo para aqueles que com ele não concordavam.

Em 2009, recebeu o galardão ‘Leme Dourado’, atribuído pelo jornal, como reconhecimento pela dedicação e trabalho desenvolvido durante décadas.

Em março de 2015, mais de 50 colegas e colaboradores do jornal prestaram nova homenagem ao jornalista, num almoço em que lhe foi oferecida uma revista, edição especial, dedicada às suas “Crónicas da Beira Mar”.

Foi uma honra poder contar com este jornalista de causas e este trabalhador incansável que com toda a sua sabedoria nos ajudou na construção do edifício da nossa cidadania coletiva.

Obrigado, Raúl!

Obrigado, RO!

 

Biografia

RAUL JORGE SIMÕES OLIVEIRA, nascido a 16 de Junho de 1935, na freguesia de S. João Batista, em Moura, distrito de Beja, primeiro filho de uma prole de 5 irmãos, do casal João Oliveira (pedreiro) e Francisca Simões Ferreira (doméstica), ambos já falecidos.

Desde muito jovem “devora” tudo o que tenha letras, tanto assim que quando começa a frequentar a escola primária, já lia tão bem como os alunos das classes mais avançadas. Todas as semanas “cravava” o seu tio António, para lhe dar 6 tostões (60 centavos) para comprar, à 5.ª feira, o suplemento infantil “PIM-PAM-PUM” do já desaparecido jornal nacional “O SÉCULO”, onde praticamente aprendeu a ler.

É através desse suplemento infantil que conhece as primeiras descrições dos países africanos de língua portuguesa, em especial de ANGOLA, que o fascinam e que irão ser decisivas, a certa altura, na sua vida.

Viu-se impossibilitado de continuar a estudar (o seu sonho), pelas dificuldades económicas, que resultavam da profissão de seu pai, e por ter mais 4 irmãos, para sustentar.

Por tal motivo, resolve emigrar. Em Março/51, com 15 anos, parte para ANGOLA, através de uma “Carta de Chamada” do seu tio Joaquim, fixando-se em Novo Redondo (atual Sumbe, capital do Quanza-Sul).

Trabalha no comércio de permuta (troca de produtos agrícolas – café, coconote, milho, feijão, peixe seco e carne de caça, por outras mercadorias), até atingir a idade de prestar o serviço militar.

Assenta praça na Escola de Quadros Militares de Nova Lisboa (atual Huambo), tira a especialidade de Transmissões de Infantaria e completa a prestação do serviço militar no Regimento de Infantaria de Luanda.

Trabalha como funcionário administrativo durante cerca de um ano, numa grande exploração agrícola, Fazenda Tábi da Companhia do Ambriz, a cerca de 200 km a norte de Luanda.

De regresso a Luanda, é admitido como escriturário na fábrica de cerveja da CUCA – Companhia União de Cervejas de Angola. Trabalha aí durante 16 anos, tendo atingido o cargo de Tesoureiro.

Casa-se com Maria de Ascenção dos Santos Oliveira, doméstica.

Em Luanda, consegue finalmente, como trabalhador-estudante, tirar o Curso Geral do Comércio na Escola Comercial Vicente Ferreira.

Entretanto faz parte do grupo de alentejanos que funda em Luanda, em 1966, a CASA DO ALENTEJO, que apesar de ter sido das últimas casas regionais a serem criadas naquela cidade, marcou lugar de destaque no movimento associativo, sendo famosas as suas iniciativas, festas e atuações do seu Grupo Coral Alentejano.

É em Luanda que nascem os seus dois filhos, Rute e Raul Jorge, ela atualmente exercer funções de bibliotecária, ele no mundo das artes e espetáculos.

Regressa definitivamente a Portugal, em 1975, aquando da independência de Angola.

Depois de uma breve passagem pela Casa do Povo de Caldas da Rainha, fixa-se em Santo André, em 1978, entrando ao serviço da Refinaria da Petrogal, como administrativo, onde permanece até 1991, data em que se reforma.

Fez também parte dos corpos sociais dos grupos desportivos das 2 grandes empresas onde trabalhou (CUCA e PETROGAL); da Comissão de Moradores do Centro Urbano da “Cidade Nova” de Santo André, tendo sido designado para as representar na FERSAP – Federação Regional de Setúbal das Associações de Pais; representou a FERSAP na revista “A VOZ DOS PAIS” da CONFAP – Confederação das Associações de Pais.

Em 1984, começou a sua colaboração com a Associação Cultural de Santiago do Cacém.

Foi, em 2002, um dos fundadores da associação “LASA” – Liga dos Amigos de Santo André.

Colaborou com a ADECLA – Associação para o Desenvolvimento Educativo e Cultural do Litoral Alentejano, tendo também participado no seu Conselho Fiscal.

ACTIVIDADE JORNALÍSTICA

Em 1985 começa a colaborar, por influência de sua sobrinha Carla Oliveira, num projeto de jovens estudantes de Santiago do Cacém: reeditar um jornal que em tempos circulou nesta cidade, “O PÁGINA DO LUSITANO”. Experiência esta conseguida, com êxito, durante 3 anos.

Convidado para correspondente local da Rádio Renascença, desempenha esse cargo durante cerca de 3 anos, iniciando também colaboração noutros jornais, nomeadamente, “DIÁRIO DO ALENTEJO” – Beja; “O LEME” – Santo André; “O SÉCULO” – Lisboa, “PÚBLICO” – Lisboa, “SETÚBAL NA REDE” – Setúbal.

Em Maio/90, aquando do 4.º Congresso do Alentejo realizado em Sines, funda (com um grupo de pessoas interessadas no desenvolvimento regional), o jornal regional “LITORAL ALENTEJANO”, a que dedica grande parte da sua atividade jornalística.

Em Outubro/93 foi convidado para as comemorações do 10.º Aniversário da Casa do Alentejo de Toronto – Canadá, tendo participado num debate sobre “A IMPRENSA REGIONAL”.

Em Fevereiro/94 desloca-se também, a convite do eurodeputado José Apolinário, do PS, ao Parlamento Europeu em Estrasburgo, França, para o reconhecimento deste local.

Convidado a fazer parte da redação da nova revista “IMENSO SUL” (aposta de um grupo de 16 credenciados jornalistas alentejanos), tendo sido um dos seus fundadores, com saída desde o dia 15 de Dezembro de 1994, na sua qualidade de jornalista radicado no litoral alentejano.

A sua “cruzada” pela defesa dos valores do Alentejo, com que pautou toda a sua atividade, desde que se dedica às lides jornalísticas, continuou a ser preponderante até recentemente.

Em 2009, recebeu o galardão ‘Leme Dourado’, atribuído pelo jornal, como reconhecimento pela dedicação e trabalho desenvolvido durante décadas.

Em março de 2015, mais de 50 colegas e colaboradores do jornal prestaram nova homenagem ao jornalista, num almoço em que lhe foi oferecida uma revista, edição especial, dedicada às suas “Crónicas da Beira Mar”.

Foi portador da Carteira Profissional de Jornalista e sócio n.º 2841 do Sindicato dos Jornalistas.

 

Pela equipa do jornal O Leme

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