Autárquicas 2017 / Política

Entrevista a Rui Matos (CDU), único candidato à freguesia de Abela

A manutenção de caminhos rurais, o investimento na melhoria de arruamentos e a continuidade da proximidade às escolas, às associações e instituições locais são algumas das promessas de Rui Matos, o candidato da CDU à Assembleia de Freguesia de Abela, que encabeça a única lista que concorre às eleições autárquicas de 01 de outubro naquela freguesia.

Por ser o único candidato, em vez dos habituais debates que a Rádio Miróbriga e o jornal O Leme estão a promover em todas as freguesias do concelho de Santiago do Cacém, no âmbito daOperação Autárquicas 2017, os dois órgãos de comunicação social optaram pelo formato de entrevista, gravada nos estúdios da emissora e transmitida na íntegra na sexta-feira, dia 08 de outubro, às 11:30. A entrevista pode também ser ouvida no podcast da Rádio Miróbriga.

Abela é uma freguesia do interior do concelho de Santiago do Cacém, com cerca de 800 habitantes e 137 quilómetros quadrados de território, dela fazem parte as localidades de Arealão, Cova do Gato, Outeiro do Lobo, Boticos e Foros do Barão.

Rui Matos (CDU) tem 55 anos, é comerciante, e candidata-se pelas listas da CDU como independente, foi presidente da Assembleia de Freguesia de Abela entre 2005 e 2009 e é atualmente o presidente da Junta de Freguesia, cargo que ocupa desde 2010

Ângela Nobre (O Leme) – Bom dia, Rui Matos, que balanço faz do mandato que está prestes a terminar?

Rui Matos – Olá, muito bom dia. Primeiro vou cumprimentá-las e aos ouvintes da Antena Miróbriga, uma saudação especial ao jornal O Leme, uma grande saudação aos habitantes de Santiago do Cacém e uma saudação especial à minha freguesia, a Abela.  Acho que o mandato que terminámos agora, é um mandato com êxito, pelo que nos apercebemos, se nos vamos candidatar e não temos nenhuma lista concorrente, dá-nos a impressão que, das duas três, ou as pessoas confiam mesmo no projeto que nós encabeçámos, confiam na CDU, confiam na própria pessoa. Ou então tenho que considerar que o facto de o Bloco de Esqueda, do PS, do PSD não se candidatarem neste mandato e uma falta de respeito para com a população, ou até mesmo uma falta de respeito para com a democracia. Mas espero que seja o meu primeiro pensamento, que seja mesmo que as pessoas tenham confiado no projeto que nós fizemos.

Helga Nobre (Rádio Miróbriga) – Então deixa-o surpreendido o facto de ser o único candidato nestas eleições em Abela?

Rui Matos – Sim, de certa maneira deixa-me surpreendido, porque nas últimas eleições candidatou-se a CDU e o PSD. O PSD teve 20 e qualquer coisa por cento dos votos, nós tivemos quase 70%, mas de qualquer forma as pessoas que votam, querem ser representadas na respetiva assembleia para que as ideias deles possam prevalecer e também nos possam ajudar. Já neste mandato atual, ninguém das listas do PSD compareceu na AF, ninguém tomou posse, de todos os elementos que foram convocados, ninguém chegou a tomar posse. Portanto, este ano, neste mandato que vem vai ser igual, vai ser só gente CDU quando chegarmos à AF.

Ângela Nobre – Nos últimos 4 anos, conseguiu cumprir todo o programa a que se propôs nas eleições autárquicas de 2013 ou ficou ainda alguma coisa por fazer?

Rui Matos – Sim, no fundamental, conseguimos tudo o que estava no programa foi conseguido.

Ângela Nobre – Algum destaque em particular de algo que tenha conseguido concretizar?

Rui Matos – Uma situação que, à partida, estava difícil foi o facto de não termos multibanco, eramos a única freguesia que não tinha multibanco. E o multibanco, como alguém chegou a pensar, não é comprar um eletrodoméstico. Uma Junta de Freguesia pode comprar uma fotocopiadora, que tem mais ou menos o tamanho de um multibanco, até tem uns digitozinhos como o multibanco, posso comprar. Mas um multibanco tem que ser uma instituição bancária a por lá na nossa terra. Portanto, havia uma exigência, que era fazer um ‘bunker’. Aquele ‘bunker’ que lá está na Abela tem dois mil quilos de ferro, portanto é mesmo um ‘bunker’ a sério. Quero agradecer à Caixa Agrícola o facto de também lá ter posto o multibanco. E quero agradecer à Câmara Municipal de Santiago do Cacém o ter feito o projeto para que aquele ‘bunker’ no fundo não se tornasse num mamarracho.

Helga Nobre – Existe há quanto tempo?

Rui Matos – Há cerca de um ano. É uma construção engraçada, que até se coaduna. Tinhamos ali ao lado um chafariz com uma construção mesmo muito bonita e depois contruir aquele multibanco ali, podia ficar um mamarracho.

Helga Nobre – Esse foi um dos exemplos, há mais?

Rui Matos – Há um exemplo. O lugar do Outeiro do Lobo, pavimentámos todas as ruas do outeiro do Lobo, incluindo fazer as pluviais e a água para todas as casas, que já estava feito, mas que teve que ser feito completamente de novo e aí fizemos tudo do princípio ao fim e depois vamos partir para outras zonas. O Outeiro do Lobo em si está como se fosse novo.

Helga Nobre – O que é que influenciou a forma como foi preparado o programa eleitoral que está por esta altura a apresentar aos eleitores?

Rui Matos – Este programa eleitoral é a equipa CDU que se reune e que dá ideias. Também nós com elementos da Câmara Municipal vemos o que é que podemos propor às pessoas e quando chegar ao fim do mandato, consigamos fazer. Porque com o dinheiro que há numa Junta de Freguesia, com um orçamento que pouco ultrapassa os 100 mil euros, só dá mesmo para as despesas que têm que ser feitas com pessoal, com as máquinas, com os combustíveis, com as possíveis avarias dessas máquinas… portanto sobra-nos mesmo pouco dinheiro para fazer qualquer obra. Portanto, se não for com a ajuda da Câmara Municipal, é completamente impossível. E não vale a pena nenhum presidente de Junta vir dizer ‘eu assim, eu assado’, porque só com o orçamento das Juntas consegue-se muito pouco.

Helga Nobre – Isso significa que o programa eleitoral não é de modo algum arrojado?

Rui Matos – O programa eleitoral não é de maneira nenhuma arrojado, como não foi arrojado o programa eleitoral anterior. Mas o facto de não ser arrojado não quer dizer que não se faça uma série de coisas, nós andamos sempre a pedir que a nossa freguesia fique um bocadinho melhor. Por exemplo, vou agora falar das ruas que foram repavimenadas na Abela, que já tinham sido há 20 anos ou há 30 anos, e vão ficando com buracos ou degradadas. Na Abela  conseguimos pavimentar a rua da Ribeira, todo o largo envolvente à Junta de Freguesia e ao Centro de Dia. Pavimentámos a rua que vai ter ao largo principal. Pavimentámos o Largo do Chafariz, onde está inserido o tal multibanco, que são espaço extremamente grandes para uma aldeia. E agora vamos focar na zona de expansão.

Ângela Nobre – Quais são as prioridades para o próximo mandato, quais são as vossas propostas?

Rui Matos – Esta é uma das maiores prioridades, a zona de expansão, porque foi feita logo a seguir ao 25 de Abril. O que se diz é que foi mal construido, mal pensado, mas até não foi. Na altura, quando foi feito, foi como devia ser, não havia águas pluviais. Foi feito no tempo das ajudas, em que a Câmara fazia um projeto e dava para quase toda a gente, ou se virava a janela para um lado e a porta para o outro e fazia-se.

Helga Nobre – E a Zona de Expansão foi feita a pensar em quê, na expansão de Abela?

Rui Matos – Exatamente. E na altura a Abela até se expandiu. A seguir ao 25 de Abril.

Helga Nobre – Desde aí tem estado estagnado?

Rui Matos – A Abela a partir daí não cresceu mais, porque a população até tem decrescido, e cada vez está mais envelhecida. Mas já foi feito junto à Zona de Expansão o Lar da terceira idade em Abela, que comporta uma quantidade de pessoas e que também já é uma parte da expansão da Abela, porque foi feito fora do perímetro que era a Abela.

Helga Nobre – São infraestruturas que vão crescendo ali numa zona que foi pensada incialmente para receber mais habitantes, o que não se veio a verificar…

Rui Matos – Exatamente.

Helga Nobre – Então que propostas tem para essa zona de expansão?

Rui Matos – Ao que me estava a referir na Zona de Expansão é o estado já de degradação do alcatrão, dos passeios, o facto de não ter águas pluviais, vamos tentar que se façam as ditas águas pluviais e depois então a pavimentação. Porque agora não estamos a ver um alargamento do futuro da aldeia Abela.

Helga Nobre – Então que objetivos têm para aquela zona? Por onde passa o futuro dessa zona?

Rui Matos – Essa zona de expansão está completamente feita e habitada. Vamos é por a zona de expansão bonita. Eu quero fazer a Abela cada vez mais bonita. Não nos vamos expandir, até temos casas devolutas. Se vocês repararem, a Abela é uma aldeia atípica. Normalmente todas as aldeias têm uma casa térrea. Se repararem, tem uma série de largos que não existem noutras localidades, e quase todas as casas são de primeiro andar, se calhar é a única aqui da zona que é assim.

Helga Nobre –Entre as priodades do seu programa eleitoral, falou agora da zona de expansão, mas há mais?

Rui Matos – Temos sempre nas nossas prioridades os caminhos rurais, temos sempre de manter os caminhos rurais arranjados. A gente já sabe que há sempre lama de inverno, pó no verão, há buracos. Mas pronto, é tentar minimizar sempre. Uma outra prioridade, como somos atravessados pela ribeira de Corona, e como já tem havido algumas cheias, tentamos precaver-nos das intempéries, fazendo sempre a limpeza da ribeira. Isto são tudo situações, se fosse só essas duas acabava logo com o orçamento. Isto têm sempre que ser coisas feitas com a Câmara Municipal. Depois focalizamos sempre nos espaços verdes. A Abela é uma aldeia bonita e tem sempre uns espaços cuidados, é uma aldeia limpa. Do que nós nunca nos esquecemos é da população mais idosa, estamos também sempre a fazer qualquer coisa para que os idosos se sintam melhor. Outra das idosas, é a população mais jovem, estamos sempre a tentar fazer qualquer coisa para que os jovens cresçam alegres e felizes na nossa freguesia. Temos a sorte de ser vizinhos do infantário. O infantário tem bons professores que durante o ano letivo estão sempre a trabalhar nas diversas temáticas que vão aparecendo durante o ano inteiro e fazem uma série de coisas em que a Junta de Freguesia está sempre disposata a colaborar. Tenho aqui anotado que só neste ano a JF fez o pagamento de bilhetes para que as crianças fossem ao teatro Politeama, foram ao Zoomarine, foram ao Pavilhão do Conhecimento, foram ao Oceanário, foram ao Jardim Zoológico. São crianças do interior, mas têm a possibilidade de conhecer o que em princípio de bom existe noutros lugares.

Ângela Nobre – Esse tema vem de encontro à nossa próxima questão. No programa fala da valorização da educação. Existem duas escolas do ensino básico na freguesia e um jardim de infância. Essa é uma forma de contribuir para a valorização da educação ou há também outras em que pensa em apostar?

Rui Matos – Nós como temos confiança nos professores, os professores têm confiança na Junta de Freguesia, têm sempre direito a fotocópias para as crianças e todo o material que acharem necessário, vêm ter com a Junta e a Junta disponibiliza. A Junta em si não tem nenhum programa excepcional para as crianças, mas tem toda essa situação de estar sempre a ajudar. Agora por exemplo temos um problema que é a falta de auxiliares nas escolas primárias. E a Abela tem a EB1 de Abela e a EB1 do Arealão, são duas auxiliares que estão em falta. O senhor presidente da Câmara pediu uma audiência, vamos ver se conseguimos uma resposta rápida. À partida normalmente conseguimos obter uma resposta porque isto já tem acontecido. Isto é sucessivo, todos os anos isto acontece, não sei porquê, não sei se é propositadamente. Se todos os anos acabam e têm que começar, se se contratam as outras pessoas, por que é que não se contrata uma tarefeira por quatro horas, com um ordenado quase insignificante. Não percebo.

Helga Nobre – A fregueisa de Abela, como é que a caracteriza, é muito envelhecida? Tem muitos jovens?

Rui Matos – A freguesia da Abela neste momento é uma freguesia envelhecida. Mas também temos todas as condições para que possamos chegar a velhos na nossa freguesia.

Helga Nobre – Diz isso por causa dos serviços que existem?

Rui Matos – …da terceira idade e também por a Casa do Povo ter o centro de dia que dá o apoio domiciliário.

Ângela Nobre – Mas o lar é privado, não é?

Rui Matos – O lar não é bem privado, é da Casa do Povo de Abela, o lar e o centro de dia.

Helga Nobre – E o não encerramento de escolas na freguesia e a existência do jardim de infância faz com que a população mais jovem não se afaste, é isso?

Rui Matos – Exatamente. Nós, estava a dizer que temos uma população envelhecida, e é verdade, mas também é com grande satisfação que constato que este ano o jardim de infância vai duplicar o número de alunos que tinha em relação ao ano passado. Daí, também há todas as condições para os pais a trabalhar nos poucos empregos que há na Abela, mas de qualquer maneira têm condições para ter os filhos. Às vezes vêm com aquela conversa de ‘então a Junta de Freguesia devia dar um subsídio por cada nascimento’. Eu, como presidente de Junta de Freguesia, não considero que isso seja um bom incentivo, porque de que é que serve eu dar 150 euros ou 300 euros por uma criança e depois não lhe dar as condições que eles têm necessidade para crescerem? Assim, é preferível terem todas as outras condições, desde o ensino pré-escolar até à primária, até inclusivamente a Câmara Municipal oferece as refeições aos alunos do pré-escolar e da escola primária.

Ângela Nobre – Considera que essas condições é que têm incentivado a este crescimento das crianças em Abela, é isso?

Rui Matos – É isso.

Helga Nobre – A economia na freguesia de Abela advém de onde?

Rui Matos – A economia vem sobretudo da terra, vem da cortiça e vem da pecuária. Há muitas suiniculturas, há também muitas ovelhas, vacas. Portanto, a Abela é uma zona relativamente rica nesse aspeto da pecuária, agora talvez menos agricultura, mas também tem agricultura.

Helga Nobre – E essas famílias jovens é nesse setor que trabalham ou saem de Abela para trabalhar?

Rui Matos – Mesmo algumas das famílias jovens dedicaram-se a isso. Há outras que trabalham relativamente perto, ou trabalham em Santiago ou em Sines. E depois há outros mesmo que não conseguem estar na nossa zona e têm mesmo que emigrar ou ir ver  para uma grande cidade, como Setúbal ou Lisboa.

Ângela Nobre – Que tipo de serviço gostaria de ver na Abela, se houvesse essa possibilidade de atraír investimento, estou a falar da criação de novas empresas na Abela. Há essa janela de oportunidade, existe potencial na Abela?

Agora o que temos estado a ver e que a Abela tem, é turismo rural e coisas desse género. Porque não estou a ver nenhuma fábrica a vir instalar-se na Abela. E se calhar até nem é necessário. Se houver emprego relativamente perto da Abela, se calhar as pessoas até preferem ir viver para a Abela com casas mais baratas, com um bom lugar de estacionamento, com boa mobilidade. Eu por exemplo se trabalhasse em Santiago do Cacém, preferia de longe viver na Abela calmamente, acho que tem uma qualidade de vida excepcional. E se estivermos perto de tudo, como hoje em dia estamos, vamos à capital, ao fim de uma hora e tal estamos lá, temos as praias perto… portanto nós não precisamos de ter tudo, precisamos é de estar bem situados.

Helga Nobre – Em relação aos serviços públicos, anuncia a intenção de defender a continuidade da Extensão de Saúde da Freguesia. Está em risco o posto de saúde de Abela?

Rui Matos – Neste momento penso que não está em risco, antes pelo contrário, até está muito melhor do que esteve aqui há algum tempo. Nesta altura temos dois médicos, temos um enfermeiro, há dois dias por semana em que há consultas. Nesta altura, se continuar assim, está tudo muito bem.

Ângela Nobre – Em preparação para esta entrevista a rádio Miróbriga e o jornal O Leme estiveram em Abela a ouvir alguns residentes sobre as necessidades que sentem na freguesia. Não foi fácil obter o contributo da população, que não quis gravar depoimentos, mas um dos temas abordados foi a falta de funcionários na junta de freguesia, com reflexos nos serviços prestados. Quantos funcionários tem atualmente a Junta de Freguesia?

Rui Matos – Nesta altura, a Junta de Freguesia tem cinco funcionários.

Ângela Nobre – E são suficientes?

Rui Matos – E não pode ter mais funcionários, porque a administração assim o diz. Suficientes… aahhhh. Isto é assim, para o que está e para o que se vê na Abela tenho que dizer que são suficientes, porque a Abela está limpa, está cuidada. Realmente para ser na perfeição pelo menos deveria ter mais um funcionário.

Helga Nobre – Então não se revê nas críticas que foram colocadas pela população?

Rui Matos – A população tem sempre a mania de dizer que o funcionário público trabalha pouco. Mas eu sei que é mentira. Pelo menos os meus funcionários trabalham muito, têm disponibilidade, mesmo que seja fora de horas, de noite, de dia, estão sempre prontos para funcionar. Mas não vos deram nenhum sítio, ‘ali está muito mau’, disseram só que ‘havia falta de funcionários’, mas…

Ângela Nobre – Houve alguma redução do número de funcionários desde que entrou na Junta de Freguesia, em 2010?

Rui Matos – Sim.

Ângela Nobre – Mas não por sua opção, é isso que está a dizer?

Rui Matos – Exatamente. Houve redução, mas não por minha opção. Até a Câmara Municipal tinha lá funcionários… mas aquilo eram outros anos. Houve uma altura que também houve um curso que davam para agricultura, para plantas, fizeram uma quantidade de jardins na Abela. Daí, realmente, na parte da manutenção de jardins, as pessoas perdem ali uma quantidade de tempo, mas temos Abela bonita. Tinhamos tentado reduzir como deve ser… A Abela não tem falta de ter relvinha nem aguinha a correr, porque tudo à volta são árvores e é um campo bonito, portanto não temos falta de tanta coisa. Temos vindo a reduzir, se não os trabalhadores não davam conta, criando espaços onde havia espaços verdes, espaços com pedras bem alinhadas, com plantas que não têm necessidade de água, como os catos.

Ângela Nobre – Que exigem menos recursos…

Rui Matos – Exatamente.

Helga Nobre – E manutenção também…

Rui Matos – E menos manutenção e vamos tentando reduzir dessa maneira.

Helga Nobre – No seu programa eleitoral fala em melhorar a rede viária, já aflorámos essa questão, com a previsão de conservação e de melhoria de caminhos rurais. Este foi outro dos temas também mencionados entre os habitantes ouvidos pela Rádio Miróbriga e pelo jornal O Leme, a necessidade de requalificar vias, como no Arealão, ou a conclusão da estrada do Fontanal que, segundo nos disseram, poderia reduzir o percurso entre Abela e Grândola. Isto é assim? Já está há muitos anos por concluír?

Rui Matos – Exatamante. Isso foi um projeto antigo, anterior a mim, haver a possibilidade de alcatroar essa dita estrada do Fontanal, que são oito quilómetros, até ao concelho de Grândola. Foi uma coisa que passou, nós mantemos no programa eleitoral, assim muito ténue, porque eu não tenho realmente esperança nenhuma. Tenho aqui [no programa eleitoral] ‘trabalhar com a Câmara Municipal na conservação e melhoria da EM546.

Helga Nobre – Não tem esperança nenhuma porquê?

Rui Matos – Esperança, no alcatrão.

Ângela Nobre – Porque não pode ser a Junta de Freguesia a fazer…

Rui Matos – Exatamente. Não vale a pena estar a dizer que tenho, porque não tenho. Realmente que a estrada tem uma manutenção mais elevada que as outras, tem. Eu próprio quando me desloco para o lado de Grândola e Setúbal, desloco-me por ali, o carro fica com pó…

Helga Nobre – Conhece as dificuldades…

Rui Matos – Exatamente, conheço. Isto mantém-se. Atenção que quando houver uma janela aberta, nós vamos aproveitar. Se houver alguma verba vinda da Europa, nós aproveitamos, estamos sempre com os olhos bem abertos para essa situação, mas por enquanto, é como digo, não houve grandes possibilidades.

Ângela Nobre – Há pouco já tinha falado aqui  também da intenção de criar sistemas de drenagem de águas pluviais. Além desta intervenção em Abela, está também previsto fazer este tipo de intervenção noutras localidades?

Rui Matos – Sim. Há bocado focaram aí uma estrada no Arealão que também temos que arranjar. Foi arranjada já há 20 anos e e agora já tem ali 10 ou 12 buracos, que eu constatei. E os caminhos rurais que vão ser eternos, vão sempre ter pó, vão sempre ter buracos e vão sempre ter lama. Mas nós todos os anos fazemos uma ou duas intervenções de fundo em todas as estradas e temo os tais 137 quilómetros quadrados como referiram aí no início.

Helga Nobre – Isso é o que leva a maior fatia do orçamento da Junta de Freguesia, manter e requalificar caminhos?

Rui Matos – Só o manter leva quase todo o dinheiro do orçamento da Junta de Freguesia, o pagar aos tais cinco funcionários, os combustíveis, a gestão da Junta em si, sobra muito pouco dinheiro para fazer qualquer tipo de obra.

Helga Nobre – Temos aqui uma questão que diz respeito à melhoria dos sistemas de abastecimento de água e saneamento, o que é que está previsto em concreto?

Rui Matos – O Outeiro do Lobo, como eu há bocado disse, está completamente feito, mas ainda tem um problema, a água não tem a pressão devida e estamos também a pensar nisso. Depois há umas quantas Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), como temos muitos lugares, logo temos também que ter em atenção as fossas séticas e essa situação toda que está também programada.

Ângela Nobre – Uma das queixas ouvidas entre os eleitores da Abela entrevistados pela Rádio Miróbriga e pelo jornal O Leme refere-se  precisamente às ETAR’s. Foi referido que há períodos em que há mau cheiro e também em que a própria ETAR faz descargas para o ribeiro. O que é que se passa?

Rui Matos – Estão a referir-se à ETAR da Abela, que faz parte agora das Águas do Alentejo. Houve tempos em que já houve umas situações em que realmente a água chegou a correr para a ribeira, mas o problema foi resolvido e agora neste momento está como deve ser.

Ângela Nobre – Essa questão em particular está resolvida? E os maus cheiros?

Rui Matos – Não quer dizer que no inverno ela não nos venha a aparecer outra vez. Porque isto é asism, quando as coisas não são feitas de raiz… e a Abela teve primeiro a água canalizada e só depois é que teve o sistema de esgotos. O que é que acontece? Algumas das casas têm a água pluvial a correr pelos esgotos, logo, enche as condutos. Quanto essa água corre para a ribeira, não é uma água assim tão suja como isso, porque é a própria água da chuva que cria a situação. Mas é uma situação que nós estamos a tentar resolver para que não aconteça mais. Como repararam a Abela está numa cova, temos que ter uma estação de elevação para que a água saia de lá. Temos verificado que a estação funciona, tem uma bomba automática, que até tem um gráfico de quando está ligada e desligada e nós verificamos que a bomba está a funcionar nesta altura plenamente.

Ângela Nobre – Qualquer anomalia é para ser resolvida pela Águas do Alentejo?

Rui Matos – Exatamente, não tem nada a ver com a Junta de Freguesia, mas a Junta de Freguesia tem que estar sempre ‘a pau’.

Helga Nobre – Há mais intervenções previstas pela Junta de Freguesia? Refiro-me a obras.

Rui Matos – A obra foi aquela que eu referenciei, portanto é agora focarmo-nos na Zona de Expansão. Depois só nos falta, para a Abela ficar impecável, são mais duas ruas que eu penso que neste mandato vamos conseguir…

Helga Nobre – Quais são?

Rui Matos – É a rua Dr. Pereira Varela, que é uma que vem ter ao jardim, e a rua da Igreja, são as únicas que falta alcatroar… e ainda uma outra, que é a rua Padre António Macedo.

Helga Nobre – Três ruas então?

Rui Matos – Três ruas a seguir à zona de expansão. Espero que nestes quatro anos consigamos concretizar tudo.

Ângela Nobre – Na área da cultura e do desporto e no incentivo ao associativismo de que também falam no vosso programa, o que é que é proposto?

Rui Matos – Portanto na Abela temos a sorte também de ter o Sporting Futebol Clube Abelense, que nestes últimos quatro anos tem estado a funcionar muito bem.

Ângela Nobre – É um clube muito antigo…

Rui Matos – É um clube antigo, que nasceu em 1933, que agora tem uma direção jovem, que até tem trabalhado com as classes mais pequenas em termos de futebol, mas que faz todo o tipo de atividade física. Nós, Junta de Freguesia, o que é que fazemos, claro que é a tal situação, não somos nós que vamos dar desporto, mas damos todo o apoio ao Sporting Futebol Clube Abelense. Ainda a última situação que nos pediram, fazia falta bolas, fazia falta todo o material para ginástica, tapetes, pesos, comparticipámos com 500 euros em que eles quase conseguiram comprar tudo o que tinham necessidade. E depois como o clube está sempre a fazer atividades, nós também comparticipamos. Qualquer das coisas que seja feita atrabés do clube abelense, nós comparticipamos. Depois temos o caso da Casa do Povo, que tem as duas valências do Centro de Dia e do Lar da terceira idade, eles também têm que estar sempre a fazer festinhas e outro tipo de atividades para adquirirem algum dinheiro, e lá está  também a Junta de Freguesia. E às vezes aquelas pequenas coisas, às vezes só fazer o evento não chega, fazem falta pequenas coisas, como caixotes do lixo, a limpeza do espaço logo no dia seguinte, para que não fique sujo, lá está a Junta de Freguesia em cima do acontecimento. Coisas simples. E tenho a sorte destas instituições todas agora estarmos mais ou menos unidos, posso-me referir também à Igreja Paroquial, que faz as suas atividades, tem a catequese, fazem falta fotocópias, todas as outras coisas assim, a Junta de Freguesia está sempre presente…

Helga Nobre – para resolver essas situações que surgem. Para terminar e porque já estamos na reta final desta entrevista. Rui, por que é que os eleitores devem votar em si?

Rui Matos – Se calhar, por os quatro anos que já passaram. Se não houve nenhuma lista, acho que isso já está tudo dito. Eu penso que é porque as pessoas confiam neste projeto CDU e confiam em mim próprio. Eu também reconheço, eu sou um presidente presente, estou lá todos os dias, todas as horas, de dia, de noite… se não estiver presente, estou por telemóvel, as situações são sempre resolvidas. Nós não criamos problemas e tentamos resolvê-los o mais rápido possível e até agora acho que temos resolvido sempre tudo relativamente rápido. Votem na minha pessoa e venham viver para Abela, porque tem uma qualidade de vida que eu não conheço em mais lado nenhum.

Fim.

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