Autárquicas 2017 / Política

Arruamentos, limpeza urbana, emprego e habitação em destaque no debate em Ermidas-Sado

Os três candidatos que lideram as listas concorrentes à Assembleia de Freguesia de Ermidas-Sado às eleições autárquicas debateram, no jardim público da vila de Ermidas temas como a pavimentação de vias e criação ou melhoria de passeios, a limpeza urbana, o desenvolvimento económico, o emprego e habitação, a descentralização de competências e ainda questões ambientais, relacionadas com a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).

No debate, o segundo de nove previstos com todos os candidatos à Câmara Municipal de Santiago do Cacém e às Assembleias de Freguesia do concelho, que decorreu no dia 06 de setembro, participaram os três candidatos à Assembleia de Freguesia de Ermidas-Sado, que vão a votos no próximo dia 01 de outubro, Carlos Parreira (CDU), Vanessa Silva (PS) e Maria João Gomes (BE).

Antes de dar início ao debate dos vários temas, os candidatos tiveram oportunidade de destacar as principais prioridades que definiram nos respetivos programas eleitorais.

O candidato da CDU, Carlos Parreira, que é o atual presidente da Junta de Freguesia de Ermidas-Sado, já definiu as linhas gerais do seu programa eleitoral que passa por dar continuidade à requalificação urbana e ao apoio às coletividades.

Carlos Parreira (CDU), 36 anos, é fiscal municipal de profissão e é o atual presidente da Junta de Freguesia. Antes disso tinha já sido membro da Assembleia de Freguesia entre 2009 e 2013

“Muito trabalho tem sido feito ao nível de pavimentações de ruas, de redes de água, de esgotos, de pluviais”, destacou o candidato, que afirmou ser com essas “linhas orientadoras” que pretende “continuar o mandato seguinte”. A proposta de “continuidade” de que falou alarga-se também a outras áreas, adiantou, exemplificando com o “apoio às coletividades, instituições, associações, apoio às escolas, às crianças, às excursões”.

Carlos Parreira apontou também como prioridade a construação de uma nova “ETAR em Ermidas”, orçada em “2 milhões de euros e é por este caminho que vamos seguir sempre”.

Carlos Parreira disse que no atual mandato foram executados seis quilómetros de passeios em dez ruas que foram intervencionadas depois de o executivo ter recebido uma junta onde estava tudo por fazer a este nível.

“Apanhámos um défice enorme nesta freguesia, já foram feitas cerca de 10 ruas e às vezes a resposta não é a mais ideal para as pessoas porque o défice é muito grande, mas nós não podemos alcatroar uma rua na freguesia só por alcatroar, tem que ser mudada a rede de águas, passar para passeios, fazer sumidouros, os ramais de água para ligar à casa das pessoas e aí sim a execução dos passeios para depois à posteriori fazer-se aquele trabalho que as pessoas mais gostam, que é a pavimentação das ruas”, disse . Prevista no programa da CDU está também a construção de uma ciclovia e de um passadiço até ao cemitério.

Durante o segundo debate que a Miróbriga, em parceria com o jornal O Leme, realizaram no âmbito da Operação ‘Autárquicas 2017’, a candidata do Partido Socialista, Vanessa Pereira, defendeu uma política orientada para o desenvolvimento comunitário com a participação da população na vida ativa da vila de Ermidas.

Vanessa Silva (PS), 36 anos, professora do primeiro ciclo, é a primeira vez que se candidata, é atualmente membro da Assembleia de Freguesia de Ermidas

“Apresentamos um programa sustentado, sabemos que as verbas de alguma forma são bastante curtas para aquilo que era desejável naquilo que são as necessidades da nossa vila”, disse a candidata socialista, que é atualmente eleita na Assembleia de Freguesia.

Vanessa Silva defende ainda no programa por em prática “um conjunto de medidas” com o objetivo de “aproximar as pessoas e chamá-las a participar na vida ativa da vila”.

“Queremos também com este projeto quebrar a apatia que tem vindo a ser vista pelos ermidenses, chamando-os a ser mais ativos, chamando-os de alguma forma a participarem, e também eles a ter voz ativa principalmente os nossos jovens, os nossos séniores, a população ativa, as crianças, as famílias e principalmente as empresas”, destactou.

Para a candidata do PS, “as empresas poderão ter um papel importante no levantamento de questões” e colaborar para encontrar “soluções para algumas dificuldades” relacionadas com “o orçamento”.

A candidata do Bloco de Esquerda (BE), Maria João Gomes, assegurou que as propostas que constam do seu programa eleitoral são realistas e arrojadas, dando o exemplo da descentralização de competências.

Maria João Gomes (BE), 50 anos, é professora e é a primeira vez que se candidata, como independente

Maria João Gomes promete “exigir da Câmara Municipal uma descentralização de competências”.

“Estando todos os poderes centralizados na Câmara, não se responde atempadamente a coisas simples como um cano roto, como qualquer coisa banal e corriqueira que, se houver essa descentralização, não se vão esgotar tanto os recursos à espera de uma resposta e vão com certeza as soluções surgir muito mais rapidamente, porque existe o recurso humano, o recurso logístico e certamente o recurso financeiro”, exemplificou.

Maria João Gomes apresentou ainda propostas para melhorar o meio ambiente, a mobilidade, o desporto e a juventude.

“Devemos acabar de uma vez por todas com os glifosatos e os produtos químicos na limpeza urbana, um plano de arborização para a freguesia, melhorar a rega pública, uma nova ETAR para Ermidas-Sado”, defendeu. O programa do BE aposta ainda na mobilidade, propondo a “criação de um circuito de mini-bus elétrico que pudesse semanalmente trazer as pessoas à sede de freguesia”, bem como a “abolição de barreiras arquitetónicas para as pessoas com mobilidade reduzida”.

“Um dos grandes exemplos [de barreiras arquitetónicas existentes] é a própria Junta de Freguesia, que não tem rampa para as pessoas lá conseguirem chegar”, apontou.

Além disso, o BE quer apostar também no desporto, revelando a intenção de “dinamizar o Centro Cultural e abri-lo imediatamente”.

Desenvolvimento Económico

Para potenciar o desenvolvimento económico da freguesia, Vanessa Silva (PS) disse pretender reivindicar à Câmara Municipal de Santiago do Cacém formas de criar “melhor atratividade” e “infraestruturas” na Zona Industrial Ligeira de Ermidas-Sado, com a finalidade de “atraír novos investimentos”.

“Em termos de Junta de Freguesia, essa não é a nossa competência, no entanto, temos que reivindicar junto da entidade competente a limpeza dos espaços e criando um painel para as pessoas que ali passam diariamente na estrada principal, para que possam de alguma forma dar um olho e pensar nesta vila”, exemplificou.

A candidata socialista reconhece que têm sido concretizados “alguns investimentos” de empresas, mas considera que é preciso mais.

Outra das medidas que pretende tomar, caso seja eleita, é desafiar as empresas locais “a reativarem uma associação de empresários existente na terra” no sentido de “garantir alguns eventos” e “potenciar o comércio local”.

Para Maria João Gomes (BE), o papel da Junta de Freguesia de Ermidas-Sado pode ir mais longe. A candidata do Bloco de Esquerda propõe criar “um website oficial da Junta” para divulgar as “mais valias” e o que a freguesia tem “para oferecer”, promovendo a ZIL “pela sua localização”, junto “do rio Sado”, perto de “comboios”, “estradas”, “autoestradas”, “entre Lisboa e o Algarve”. “Tornar a ZIL uma plataforma de desenvolvimento logístico” é, para Maria João Gomes, uma das formas de potencializar aquela infraestrutura.

“Sobretudo em termos de divulgar o potencial que [a ZIL] tem como plataforma logística, não é uma competência da Junta de Freguesia, mas é nossa obrigação divulgar o que temos de bom”, defendeu.

O candidato da CDU, Carlos Parreira, assegurou que tem havido promoção da ZIL e que estão a trabalhar em melhoramentos.

“Nós estamos muito próximos da Câmara Municipal nesse aspeto, temos um projeto em marcha com a IP para acabar com a rampa de acesso à ZIL, um painel publicitário no sentido de publicitar a ZIL de Ermidas, e para quem não sabe, ficam a saber, às vezes fala-se sem saber, a ZIL de Ermidas é divulgada e potencializada em todo o lado, nomeadamente em Lisboa, na Feira de Empreendedorismo de Lisboa, na FIL, nas feiras de Santiago, agora nas festas de Santa Maria, a JF estava a divulgar o bom que temos na freguesia, na ZIL de Ermidas”.

Carlos Parreira recordou que “há dois anos atrás a Câmara Municipal voltou a investir na ampliação da ZIL de Ermidas”, havendo contactos de empresas que tencionam ali instalar-se ou ampliar unidades fabris, como é o caso da Maredeus.

“A ZIL não está mal divulgada, pelo contrário, está muito bem potencializada”, disse, indicando manter a estratégia de “continuidade” do trabalho que tem sido desenvolvido.

O candidato da CDU destacou mesmo o facto de não haver casas para alugar, resultado da criação de emprego.

“Na freguesia de Ermidas não há casas para alugar neste momento, devido à criação de emprego”, disse. “A escola primária passa de 3 turmas para 4, o Jardim de Infância passa de 26 alunos para 24 e isso demonstra a potencialidade que a freguesia tem a nível de empreendedorismo”, destacou ainda, para sublinhar o reflexo do crescimento económico na freguesia.

Arruamentos e vias públicas

O tema das necessidades de melhoria e de requalificação de arruamentos e de vias públicas suscitou discórdia entre os candidatos, que têm diferentes visões sobre o que tem sido feito até agora e o que pode vir a ser feito no futuro.

Maria João Gomes (BE), que contempla no seu programa eleitoral a “requalificação de passeios para pessoas com dificuldade de mobilidade”, bem como a “construção de uma ciclovia entre Faleiros e Ermidas”, apontou o dedo ao atual executivo da freguesia, criticando o que chama de “onde de alcatrão”, que considera ser “uma manobra eleitoral”.

“Esta última onda de alcatrão, entre aspas, que estamos a assistir, foi feita já um bocadinho tardiamente como uma manobra obviamente eleitoral, foi feita sem qualquer planeamento e em cima do joelho, temos uma estrada que vai de Ermidas para Faleiros, não tem bermas, não tem sinalização, não tem nada”, criticou a candidata.

Uma das zonas onde considera ser prioritária a intervenção é a “rua 25 de Abril”, que compara com um “cenário de guerra”, com “imensos buracos”. “Creio que há cerca de 40 e tal anos que não se faz uma intervenção de fundo”, afirmou.

O candidato da CDU, que atualmente está à frente dos destinos da freguesia, nega as críticas feitas pela adversária política, respondendo com o trabalho que tem sido feito.

“É mesmo quem não sabe e quem não acompanha a realidade da freguesia, dizerem-me a mim que há mais de 40 e tal anos que não é feito um investimento a esse nível e que é feito tudo em cima do joelho é completamente falso”, refutou.

“Nós não alcatroamos uma rua na freguesia de Ermidas só por alcatroar para ganhar votos como estão aqui a querer passar a mensagem, mudamos primeiro a rede de águas, passamos os coletores para a rede para os passeios, ligamos à casa das pessoas, sem qualquer custo, com contador, com caixa, com tudo, executamos o passeio e de seguida fazemos as pavimentações”, argumentou, assegundo que os trabalhos são planeados com antecedência.

“É tudo preparado atempadamente em reuniões, em Plano Plurianual de Investimentos e temos tudo preparado, não andamos aqui à toa como andam a querer passar a mensagem”, insistiu.

“Não é chegar ali e alcatroar, tem que se fazer um trabalho de fundo, a rede [de água] tem 60 anos, tem que ser mudada toda a rede, mudar para os passeios, um dia mais tarde quando haja uma rutura, é no passeio que se vai mexer, não vai ser no alcatrão”, argumentou, assegurando terem sido, nos últimos 4 anos, “alcatroadas 10 ruas” e feitos “6 quilómetros de passeios”.

Para Vanessa Silva (PS), os arruamentos e a limpeza de passeios também são uma prioridade, mas para a qual a candidata pretende reivindicar soluções à Câmara Municipal de Santiago do Cacém.

“Pretendemos reivindicar que sejam concluídos os arruamentos necessários a Ermidas-Sado, Ermidas Aldeia, Faleiros e Vale da Eira, com a consciência de que não está fácil fazer tudo ao mesmo tempo, têm que ser obras cuidadas, ponderadas, vistas com alguma calma”, disse.

Além disso, a candidata socialista propõe a criação de “uma brigada para pequenos arranjos” que possibilite trabalhar “diariamente”.

Descentralização de Competências

Nos programas eleitorais, o Bloco de Esquerda e o PS exigem uma efetiva descentralização de competências, mais recursos financeiros, humanos e logísticos, enquanto a CDU não toca neste ponto.

Carlos Parreira (CDU) assegurou no entanto existir atualmente “um acordo de execução” através do qual a Junta de Freguesia executa “serviços que competia à Câmara Municipal de Santiago do Cacém” e “que o município paga à Junta de Freguesia para executar”.

Isto acontece, explicou, porque o orçamento, de cerca de 160 mil euros “não é suficiente”.

A intenção do candidato da CDU é “melhorar” o acordo com o município, para conseguir “mais financiamento por causa da limpeza urbana”.

“É essa a nossa preocupação e nós temos vindo a adquirir também equipamento, desde máquina roça matos, assopradores”, afirmou.

“Há ruas que estão por limpar, é verdade”, reconheceu, explicando que, com “o falecimento de um funcionário”, ainda não subsituído nos quadros, e com outro “de baixa”, as dificuldades são acrescidas.

Carlos Parreira lembrou ainda que o atual acordo com o município prevê que, de 15 em 15 dias, são deslocados funcionários municipaos para “prestar serviço nesta área”, e anunciou estar a “ser feito um estudo com uma empresa exterior” para privatizar “parte” da limpeza urbana.

Esse anúncio deixou a candidata do BE perplexa. “Fiquei estupefacta, acho que a limpeza urbana faz parte das competências de uma Câmara Municipal e de uma Junta de Freguesia, é estranho, bizarro por empresas privadas a tratar do assunto”, criticou Maria João Gomes, que é grande defensora da descentralização de competências, para resolver questões como esta e outras.

“Está previsto na lei as Câmaras Municipais descentralizarem competências para as Juntas de Freguesia, nós aí já vamos ter mais autonomia, mais gente, mais recursos financeiros para os tais problemas do dia a dia”, defendeu.

“Está um cano roto, estamos a desperdiçar água durante dois ou três meses, a Câmara Municipal tem que encontrar pessoas,’ timings’, etc, estamos a usar muito mal os recursos naturais, havendo logísitca, havendo pessoas, naturalmente o cano roto nesse dia ou nessa tarde, seria logo reparado”, exemplificou.

Estação de Tratamento de Águas Residuais

Enquanto a candidata do PS indica não ter “nada contemplado no programa [eleitoral] acerca da ETAR”, por considerar que “é competência da Câmara Municipal”, Maria João Gomes (BE) defende a modernização da infraestrutura atual de Ermidas-Sado.

“Esta ETAR já está a dar problemas, já está obsoleta, já temos contaminações dos lençóis freáticos, contaminações nível agrícola, de pasto de animais, etc, e urge mesmo que seja ou requalificada ou uma nova ETAR de raiz. Claro, competência da CM, facto para o qual a JF tem o dever de chamar à atenção, porque é a qualidade de vida das pessoas que está aqui em jogo”, apontou.

O candidato da CDU assegurou que vai haver uma “nova ETAR para Ermidas” em 2018, lembrando que se trata de uma competência da empresa pública “Águas do Alentejo”, da qual a Câmara Municipal de Santiago do Cacém “é parceira”.

Carlos Parreira (CDU), que também é o atual presidente da Junta de Freguesia de Ermidas, contraria as declarações da candidata do BE, afirmando não ter conhecimento de contaminação do lençol freático.

“Não sei onde foi buscar essa ideia, sinceramente, faça chegar à Junta de Freguesia os documentos que o provam, porque eu estou admiradíssimo com isso”, disse.

Habitação

Pensando no crescimento de Ermidas, a candidata do BE, Maria João Gomes, propõe a criação de habitação social e de habitação de emergência na vila do interior do concelho de Santiago do Cacém. Maria João Gomes defende também a requalificação de infraestruturas, começando desde já “a fazer arruamentos para os próximos aldeamentos, para os próximos bairros”.

Carlos Parreira (CDU lembrou que atualmente a “Câmara Municipal tem loteamentos municipais de lotes a baixo custo para incentivar à compra de lote para habitação permanente na freguesia de Ermidas”.

Embora essa seja uma forma de promover a criação de habitação, para a candidata do PS não é equivale propriamente ao conceito de “habitação social”.

“Os lotes têm um valor [de aquisição] e depois as pessoas ainda têm que construir… a habitação social, na minha óptica seria construída pela Câmara Municipal e depois distribuída por quem precisa”, defendeu.

A proposta socialista relativa à criação de habitação vai noutro sentido, de “aplicar medidas para recuperar casas que estão abandonadas e a cair” e de “incentivar as pessoas a recuperar as casas e a alugá-las”. Outra proposta é a de passar a “disponibilizar alguns materiais para melhoramento de algumas habitações”.

Todos os debates são transmitidos em direto pela Rádio Miróbriga, com posterior publicação escrita do resumo do encontro na edição online do jornal O Leme. O calendário de debates pode ser consultado aqui.

O debate pode também ser ouvido na íntegra aqui.

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