Sociedade

Entrevista: “Estamos sempre aquém de conhecer toda a realidade”

No passado dia 25 de novembro, assinalou-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Um fenómeno, cada vez mais mediatizado, que tem contribuído para a exposição dos casos. A diretora do centro distrital de setúbal da Segurança Social, Natividade Coelho diz que no distrito de Setúbal há duas realidades distintas.

Natividade Coelho, Diretora do Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social

Natividade Coelho, Diretora do Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social

O Leme – Quando falamos em violência contra as Mulheres, a violência doméstica é a mais comum mas há outro tipo de agressões que também preocupam as entidades que trabalham com este fenómeno?

Natividade Coelho – Sim, pelo efeito devastador que tem sobre as famílias, a violência doméstica surge sempre à cabeça mas, efetivamente, há outras formas de violência que também mobilizam as OMG’s que trabalham no terreno. Em primeiro lugar, destacaria a violência no namoro que, sendo tipificada como violência doméstica quando há crime, é um fenómeno que cada vez mais merece uma atenção especializada por parte de quem trabalha no terreno e que, apesar de ainda não estar tipificada à parte, assume contornos preocupantes e precisa de ser olhada de forma especial e com uma especialização de quem trabalha com crianças e jovens, Depois temos, embora residual, a mutilação genital feminina que continua a ter alguma expressão, sobretudo nalgumas comunidades, e que é uma barbarie e um crime mas que quando ocorre marca para toda a vida as vitimas.
Também temos a questão do bullying relativamente à orientação sexual. Os números dizem-nos que, em cada dez pessoas, pelo menos uma tem uma orientação sexual diferente, e isto é transversal a todas as idades a partir da puberdade. Sabemos que quer os jovens, quer a população adulta é vitima de bullying, no espaço público, em casa ou no local de trabalho. Depois temos a violência contra as crianças que assume contornos diferentes, quer as crianças que assistem a fenómenos de violência
doméstica em casa, quer as crianças que são vitimas de qualquer tipo de violência que é exercida sobre elas e aqui também
existe um trabalho e uma preocupação. Não queria deixar de referenciar a violência contra com os idosos, um fenómeno que tem cada vez mais expressão. Não há muito tempo, no Litoral Alentejano e a norte do distrito houve um seminário onde este aspeto foi contemplado porque sabemos que as pessoas idosas e a sua dependência são potenciais vitimas de violência. Poderia enumerar todas as formas de violência no trabalho e no emprego, desde o assédio moral ao sexual, que devem ter expressão neste dia mas que nos devem preocupar e fazer agir durante todo o ano.

As mulheres perderam a vergonha e expõem mais os seus casos. Isto deve-se a quê?

Vale a pena ler o artigo completo na edição em papel de 01 de dezembro de 2016, n.º 682

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